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Acervo RR
Luiz Tarquínio Sardinha Ferro, presidente da Fundição Tupy, é uma Penélope chorosa a espera de um gesto de misericórdia da Previ, acionista majoritária da companhia. Tarquínio está se mordendo por ser obrigado, mais uma vez, a assumir o papel de ceifador na empresa. Segundo fontes ligadas a Tupy, a meta é reduzir as despesas operacionais em até 30%. O pacote inclui redução da produção, renegociação de contratos com fornecedores e enxugamento da área de vendas. Tomara não seja o caso da Tupy, mas, na cartilha corporativa, todas essas medidas costumam rimar com demissão. Tarquínio talvez só não pegue seu boné por ter encontrado na empresa um recanto seguro. Mas, até mesmo para ele, está difícil suportar as cobranças da Previ. Tarquínio tem entregado resultados mais do que razoáveis. Não obstante a conjuntura e o raquítico crescimento da economia, entre janeiro e setembro de 2012 a receita da Tupy cresceu 23% na comparação com igual período no ano anterior. É bem verdade que, nesse intervalo, o lucro recuou 55%. Mas, mesmo diante das condições de temperatura e pressão da economia, o ganho entre janeiro e setembro chegou a R$ 63 milhões. A fundação, no entanto, pensa diferente e, mais uma vez, quer que Tarquínio monte um cadafalso no meio da Tupy. A iminência de novos cortes já alimenta um clima de apreensão na empresa. As demissões feitas no ano passado – cerca de 250 – ainda estão frescas na memória. Na ocasião, a Previ teria ameaçado cortar aproximadamente 400 vagas, mas reduziu a lista por pressão de líderes sindicais de Joinville, sede da fundição. Os trabalhadores temem que, agora, a Tupy complete o serviço. Tarquínio não quer ser o verdugo nem acha que a degola seja necessária. Procurada, a empresa não quis se pronunciar.
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