Navistar joga seus caminhões no acostamento - Relatório Reservado

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Navistar joga seus caminhões no acostamento

  • 23/01/2013
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Não chega a ser a funesta BR-3, consagrada na voz de Tony Tornado. Mas o Brasil tornou-se uma estrada arriscada demais para a Navistar, uma das maiores fabricantes de caminhões dos Estados Unidos. A empresa, que vinha a duzentos por hora, deu uma brusca freada em seus planos no país. Segundo um executivo ligado a  companhia, o total de investimentos para o próximo biênio, originalmente na casa dos US$ 300 milhões, deverá ser reduzido a cerca de um terço deste valor. O corte é um reflexo, relativamente tardio, da dolorosa ruptura da associação com a Caterpillar. No fim de 2011, a fabricante norte-americana de máquinas agrícolas deixou o capital da joint venture NC2 Global, operação que acabou integralmente incorporada pela Navistar. Desde então, o grupo tentou preservar ao máximo os investimentos já previstos no país. Foi até onde deu. O presidente da Navistar Mercosul, Waldey Sanchez, ainda tenta segurar a carreta no braço. Tem feito insistentes gestões junto aos norteamericanos para recuperar uma parcela dos investimentos congelados. Boa parte de seus esforços está concentrada na manutenção do principal projeto da Navistar no Brasil: a ampliação da fábrica de Caxias do Sul (RS). Mas, segundo fontes ligadas a  própria empresa, é pouco provável que Sanchez tenha êxito. Caso a decisão se confirme, os planos de aumento do portfólio no país irão temporariamente para o acostamento. Na subsidiária, o que se diz é que dificilmente a Navistar conseguirá grandes avanços de market share no Brasil em 2013. A percepção é que a navalhada nos investimentos restringirá consideravelmente a competitividade da empresa. Hoje, ela produz apenas duas famílias de caminhões no país, o pesado 9.800 e o semipesado Durastar, uma desvantagem em relação aos principais concorrentes. Há ainda limitações na distribuição – hoje são apenas 14 pontos de revenda em todo o país. Com o iminente cancelamento da expansão da fábrica gaúcha, o plano de duplicar a rede de concessionárias perdeu sentido. Este fato, aliás, estaria provocando atritos entre a Navistar e seus principais representantes comerciais. O Grupo Marcosa, maior revendedor da montadora no Brasil, não esconde a insatisfação com o corte dos recursos para a abertura de novas lojas e a falta de novos modelos em sua vitrine. Procurada, a Navistar informou que “continua fazendo investimentos no Brasil, com novas versões de suas famílias de caminhões” A empresa não se pronunciou sobre a expansão da fábrica gaúcha e os eventuais atritos com a rede de revendedores.

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