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Acervo RR
O ano de 2013 promete ser de sacrifícios na Tecnisa. O que se avizinha é uma temporada de cortes de investimento e revisão do portfólio de projetos imobiliários. Neste momento, a prioridade da empresa é equacionar os atrasos em algumas de suas principais obras e frear o avanço do passivo. Segundo informações filtradas junto a própria Tecnisa, dificilmente a companhia vai tirar algum novo empreendimento do papel no primeiro semestre. Se confirmada, esta decisão coloca em risco o próprio cumprimento da meta do Valor Geral de Vendas (VGV) para 2013, na casa dos R$ 2 bilhões. O cobertor é curto. De acordo com fontes ligadas a construtora, os empreendimentos já em execução não seriam suficientes para a Tecnisa alcançar o VGV traçado para este ano. Algumas das principais obras da companhia estão com o prazo estourado em mais de seis meses. Para se ter uma ideia, até setembro de 2012, a Tecnisa havia entregado um volume de imóveis equivalente a apenas metade do VGV previsto para todo o ano, de aproximadamente R$ 1 bilhão. Consultada, a Tecnisa não se pronunciou. A reestruturação da Tecnisa vem sendo conduzida com punhos de ferro por Meyer Nigri, fundador e principal acionista da empresa. Neste momento, o que está em jogo não é apenas a imagem institucional da empresa, o que já não seria pouca coisa, mas a sólida reputação construída por Nigri em mais de 35 anos de mercado imobiliário. Nigri reassumiu a gestão executiva da empresa, no fim de 2009, colocando um ponto final no breve processo de profissionalização. Desde então, implantou um rigoroso programa de corte de custos. Nos últimos meses, com o aumento dos atrasos na entrega das obras e o consequente agravamento da situação financeira da Tecnisa, ele próprio fez um périplo junto a credores e acionistas, empenhando sua palavra em relação a conclusão de todos os empreendimentos fora do prazo até o fim deste ano. Os números recentes da construtora foram bastante afetados pelo atraso na entrega das obras e por custos excedentes. Entre janeiro e setembro de 2012, a Tecnisa acumulou prejuízo de R$ 65 milhões, contra um lucro de R$ 177 milhões em igual intervalo em 2011. Em pouco mais de 12 meses, a dívida líquida passou de R$ 990 milhões para mais de R$ 1,4 bilhão – nesse mesmo período, o patrimônio recuou quase 10%. Depois de erguer uma catedral, Nigri, agora, terá de reconstruí-la.
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