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Acervo RR
Há pouco açúcar e quase nenhum afeto nas relações entre a Copersucar e o grupo Jamal Al-Ghurair (JAG), dos Emirados arabes, seu sócio na companhia de afretamento marítimo Copa Shipping Company. A convivência entre as duas empresas tem sido marcada por discordâncias estratégicas, disputas de poder de parte a parte e uma mútua indisposição para novos aportes no negócio. O que já era ruim ficou ainda pior com a recente e inesperada guinada na estratégia comercial da Al Khaleej Sugar (AKS), maior refinaria de açúcar do mundo e controlada pela JAG. A AKS está reduzindo consideravelmente a compra de açúcar bruto brasileiro em detrimento do produto de origem indiana. A decisão representa um duplo baque para a Copersucar, seja no seu core business, seja pelo flanco logístico. A cooperativa paulista é a maior fornecedora brasileira da commodity para a empresa dos Emirados arabes. Ao mesmo tempo, embora opere também para terceiros, a maior parte da carteira de afretamentos da Copa Shipping está ancorada no transporte de açúcar bruto para Dubai, justamente para a AKS. Procurada, a Copersucar negou as desavenças. A postura da AKS de, pouco a pouco, virar as costas para o mercado brasileiro lança uma tormenta de dúvidas em relação ao próprio futuro da Copa Shipping. A direção da Copersucar tem feito gestões junto a holding JAG na tentativa de retomar as vendas de açúcar para a AKS dentro dos padrões históricos. O cenário, no entanto, é cada vez mais hostil a empresa brasileira. Ao longo deste ano, a AKS deverá comprar mais de 100 mil toneladas de açúcar indiano e a expectativa é que este volume seja duplicado em 2013. O grupo de Dubai tem os números a seu favor. Alega que, na média dos últimos meses, tem comprado a tonelada do açúcar produzido na andia a um valor US$ 20 mais baixo do que o fixado pela Copersucar e outras usinas brasileiras. O navio parece navegar com um rombo no casco. De acordo com fontes próximas a cooperativa paulista, seus acionistas já avaliam a possibilidade de abandonar o barco e vender suas ações na Copa Shipping. Devido a s peculiaridades do negócio e a dificuldade de outro investidor atracar na empresa, correm o risco de vender suas ações a um valor depreciado para a própria JAG.
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