Mattel joga os dados para a compra da Grow - Relatório Reservado

Acervo RR

Mattel joga os dados para a compra da Grow

  • 21/12/2012
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Há um intruso disposto a invadir o tabuleiro, mudar as regras do jogo e dificultar ao máximo qualquer projeto de consolidação da indústria nacional de brinquedos ? ver RR no 4.497. O personagem em questão é a Mattel, que está cada vez mais disposta a virar a mesa e comer uma das peças fundamentais para viabilizar a criação da grande empresa brasileira do setor: a Grow. A aquisição da empresa paulista é vista pelos próprios norte-americanos como uma jogada de mestre, capaz, a um só tempo, de alavancar suas operações no mercado brasileiro e esvaziar o poder de fogo de seus principais concorrentes. Trata-se de uma operação no estilo dois em um. Além de embaralhar as chances de fusão com as maiores fabricantes de brinquedos do país, leia-se Estrela, Gulliver e Bandeirantes – a Mattel incorporaria uma marca extremamente tradicional e com alto índice de recall entre os consumidores. Procuradas, Mattel e Grow negaram a negociação. Ressalte-se que as duas empresas já têm laços em comum. Recentemente, os norte-americanos fecharam um acordo com a Grow para a produção terceirizada de 40 produtos de sua linha de quebra-cabeças. O principal defensor da aquisição é o próprio presidente da Mattel no Brasil, Ricardo Ibarra. Não é de hoje que o executivo faz contorcionismos para aumentar a operação da empresa no país. Recentemente, apresentou a  matriz a proposta de construção de uma fábrica no Brasil. Seria um feito e tanto. O grupo tem apenas nove plantas industriais próprias em todo o mundo – a maior parte da produção é feita justamente sob o regime de outsourcing. No entanto, o projeto foi para a gaveta. Já que a fábrica não saiu do papel, agora Ibarra tenta convencer os norte-americanos a comprar pronto, o que lhe permitiria fisgar toda uma estrutura já amortizada, tanto na parte industrial como na operação de logística. O executivo tem os números a seu favor. O peso do Brasil nos negócios da Mattel é cada vez maior. A subsidiária já responde por 9% da receita mundial. Na empresa, a expectativa é de que este índice chegue a 11% no fim de 2013.

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