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Acervo RR
O presidente da Nike no Brasil, Cristian Corsi, está sentado entre duas torcidas rivais na arquibancada. O problema é que ambas vestem a mesma camisa. De um lado, a própria matriz; do outro, os cada vez mais insatisfeitos revendedores da empresa no mercado brasileiro. O motivo da briga é a estratégia de expansão da Nike no Brasil. Corsi, que assumiu o cargo em junho, recebeu a missão de acelerar a abertura de lojas próprias. Até o fim de 2014, serão mais seis pontos de venda, número que chegará a 12 em 2016. Ao atingir esta meta, a Nike passará a ter 42 lojas próprias no país. Procurada pelo RR, a Nike não retornou o contato. A estratégia cria inexoravelmente um Nike vs. Nike. Cada vez mais, os distribuidores da empresa serão obrigados a competir com a própria fabricante. Os norteamericanos entram em campo com notório poderio financeiro e a mais-valia de usar nos letreiros de suas lojas o que talvez seja o maior ativo da companhia: sua própria marca. Corsi vem tentando fazer um trabalho de persuasão junto a “Nike do B”. Tem disseminado entre os revendedores o discurso do “eu ganho, vocês ganham”, baseado no argumento de que as lojas próprias aumentam o recall da empresa e atraem consumidores para o comércio em geral. A tese não cola. O poder de fogo dos distribuidores da marca é relativamente pequeno, mas não de todo desprezível. Grandes redes varejistas, com maior capacidade de fazer estoques e arbitrar preços, têm fôlego para comercializar, por um tempo determinado, produtos da Nike abaixo do preço sugerido pela própria fabricante, fazendo uma espécie de tática de guerrilha com a empresa.
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