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Acervo RR
O que era para ser um negócio de altíssima caloria acabou se revelando um pacote cheio de farelo. A joint venture entre a argentina Arcor e a Danone para a produção e comercialização de biscoitos no Brasil parece fadada a quebrar no meio, como um cream cracker ao se espatifar no chão. Selada em 2004, a associação nunca chegou a ser um primor em termos de resultados. Mas, nos últimos dois anos, a situação se agravou. O faturamento estagnou e não há fermento que faça o market share passar dos 7%. Entre os executivos das duas empresas, é crescente o sentimento de que o divórcio estaria próximo. A questão é saber quem saca primeiro. A julgar pelo histórico, tudo indica que será a Arcor. Nos últimos três anos, o grupo argentino teria feito duas tentativas de comprar a participação da Danone no negócio, mas não houve acordo em relação aos valores. Procurada, a Arcor negou o rompimento da parceria. Já a Danone não retornou. Satisfeito ninguém estaria, independentemente do lado. Mas, segundo fontes ligadas a s duas empresas, a Arcor teria demonstrado um grau de insatisfação maior. Aos olhos dos argentinos, a Danone é responsável pela contida performance do negócio. A Arcor entende que os franceses passaram a encarar a joint venture não como um biscoito fino, mas como uma bolacha dura e seca, um negócio secundário em seu colar de atividades no país. Este desinteresse teria, inclusive, levado a Danone a reduzir seus investimentos na parceria. Além da suposta inapetência dos franceses, são cada vez maiores as discordâncias estratégicas entre os sócios. A Arcor defende a diversificação do portfólio e um volume maior de investimentos no segmento de chocolates, um negócio ainda periférico na joint venture. Para isso, os argentinos pregam, entre outros projetos, a duplicação da fábrica de barras de chocolate de Bragança Paulista. O projeto estaria avaliado em cerca de R$ 30 milhões. Está longe de ser uma fortuna, mas a Danone prefere deixar tudo como está para ver como é que fica. Ou seja: estaria esperando os primeiros resultados de 2013 para decidir se aprova ou não o investimento.
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