Alstom trafega entre retas e trilhos sinuosos no Brasil - Relatório Reservado

Acervo RR

Alstom trafega entre retas e trilhos sinuosos no Brasil

  • 24/10/2012
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O novo presidente da Alstom no Brasil, Marcos Costa, chegou ao cargo com alguns bônus para distribuir, notadamente entre a divisão de transportes da subsidiária. Os franceses aprovaram um pacote de investimentos para os próximos dois anos da ordem de US$ 300 milhões. Parte expressiva dos recursos vai garantir a ressurreição dos planos de aumento da capacidade da fábrica de equipamentos ferroviários na Lapa, em São Paulo. O projeto foi colocado em banho-maria há cerca de três anos. Mas a direção da Alstom entende que o momento exige alguma dose de ousadia, diante da perspectiva de crescente volume de investimentos em infraestrutura no Brasil. A chegada de Marcos Costa no comando da Alstom Brasil coincide também com a confirmação da participação do grupo no leilão do trem-bala. Segundo informações filtradas junto a  própria empresa, os franceses não apenas bateram o martelo quanto a  entrada na disputa como acertaram o embarque do primeiro parceiro em seu consórcio. Trata-se da conterrânea Societé Nationale dês Chemins de fer Français (SNCF). A empresa deverá ficar com até 20% do capital. O comboio, no entanto, não vai ficar restrito a  dupla gaulesa. De acordo com a mesma fonte, a Alstom também vem mantendo conversações com fundos de pensão brasileiros, tratativas que estão a cargo do próprio Costa. Um plano de investimentos novinho em folha, a expansão da fábrica de equipamentos ferroviários, a participação em uma das principais licitações da área de infraestrutura no país… Todos estes brindes com que Marcos Costa foi recebido na presidência talvez sejam até pouco perto do pepino que o executivo terá de descascar. Para começar, o próprio trem-bala é uma incógnita. Ninguém sabe ao certo se participar do conturbado empreendimento é prêmio ou castigo. Além disso, Costa terá a missão de resgatar a reputação da Alstom no país, que ainda carrega ranhuras provocadas pelas denúncias de favorecimento na venda de trens para o metrô de São Paulo, no início da década. O estigma, aliado a uma certa dose de empáfia com que os franceses trataram do caso, custou a  empresa dificuldades de interlocução com diversas esferas governamentais no Brasil. Caberá a Costa mergulhar em um complexo trabalho de chancelaria, leiase um road show junto a autoridades da área de transporte e governadores estaduais, entre outros. Procurada pelo RR, a Alstom confirmou o interesse no trem-bala e a parceria com a SNCF. Em relação a s denúncias, informou que “a Procuradoria Geral da Suíça encerrou as investigações com as quais buscou determinar se o Grupo Alstom violou regras proibitivas de pagamento a funcionários públicos estrangeiros para ganhar contratos comerciais ilegalmente.”

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