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Acervo RR
Imaginem o antiEike Batista. Ele seria low, aliás, no profile. Seria um empresário pendurado nas abas do Estado, tanto em relação ao faturamento quanto ao financiamento da sua atividade. Não investiria em projetos de risco. Não elogiaria no exterior as oportunidades que existem hoje no Brasil; pelo contrário, meteria o malho no país. Exibiria uma taxa zero de disclosure das suas empresas. Faria do downsizing uma estratégia permanente de ajuste. E procuraria manter uma prudente distância do greenfield, comprando o que já está pronto e desossado com o dinheiro do governo. O antiEike não seria punido pelo mercado, até porque não produziria expectativas nessa praça de comércio dos semideuses. O Eike Batista real, por sua vez, anda sendo chicoteado pelos vendilhões, primeiramente porque não entregou na velocidade esperada o retorno dos investimentos. Até aí, alguma reação é regra do jogo. Embora a intensidade tenha sido desproporcional em relação a maioria dos players da infraestrutura nacional, que está com seus cronogramas atrasados e com a taxa de retorno se contorcendo nos balanços. Em segundo lugar, porque, como foi um magnífico surfista no mercado de capitais, recebeu o impacto maior do vagalhão da crise dos subprimes, que afetou o preço do minério de ferro, reduziu drasticamente a liquidez e ampliou a aversão ao risco. Não bastasse a hecatombe mundial, quis o destino que a alteração do prazo de alguns dos seus projetos e da entrega da produção comercial prevista coincidisse com revés similar de gigantes nacionais do petróleo e do minério de ferro, contaminando suas comunicações ao mercado. Talvez fora dessas circunstâncias, a reação aos números não fosse tão escalpeladora. Mas esse é o jogo dos contentes. E o mercado, desde a antiguidade, quando não ganha a partida, promove linchamentos e inquisições, sempre enaltecidos por aqueles que escrevem, deslumbrados, seus feitos. Quem se submete ao politeísmo monetário tem de prever que a manipulação não é um fruto proibido. O último embaralhamento dos fatos é a indução a uma “possível” dificuldade de caixa do empresário para tocar seus projetos em um futuro superior a dois anos. A premissa é a manutenção do status quo das suas companhias e do cenário. Coisa de gênio a s avessas. Relatórios do Barclays e da Goldman Sachs, por exemplo, chamam a atenção que Eike tem hoje um caixa consolidado de US$ 9 bilhões e os recursos não atenderiam “100%” das necessidades quiçá até o fim do biênio. Apesar da situação confortável, a simples hipótese de que o caixa não cobre até o último níquel do budget dos projetos já é suficiente para que vampiros vejam um vestígio de sangue. Não fosse o inimputável mercado, sempre o mercado, seria desonesto omitir que os Quantitative Easing (QE) e a recompra de bônus pelo BCE alteraram o cenário da liquidez internacional e que existem Fundos Soberanos passeando pelo mundo em busca de parcerias – Eike é o empresário brasileiro com maior trânsito nessa área. Também seria desleal não reconhecer que a EBX tem outros ativos fora da tríade logística, mineração e petróleo (há uma venda de 49% da AUX por US$ 2 bilhões), que Mr. Batista possui a mais festejada carteira de assets em infraestrutura, além de outros projetos pessoais que podem ser aportados na holding, e que ele tem gordura acionária que lhe permite aumentar o capital sem perda do controle. Não é por nada, não, mas tem muita gente que merecia viver no país dos antiEike.
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