Celesc ergue uma cerca eletrificada no bloco de controle - Relatório Reservado

Acervo RR

Celesc ergue uma cerca eletrificada no bloco de controle

  • 2/10/2012
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A Celesc tornou-se a Síria do setor elétrico. São cada vez mais intensos os combates entre as diferentes facções societárias da empresa. Quem estaria preparando o bombardeio da vez é o governo de Santa Catarina. O estado costura um novo acordo de acionistas, capaz de alterar os rumos da guerrilha. O intuito da operação é abrir caminho para a entrada da Previ e da Tarpon Investimentos no bloco de controle. Seria uma jogada de mestre. Nos últimos tempos, o fundo de pensão e a gestora de recursos, donos de 27% do capital total, estiveram em permanente estado de embate contra o governo, exigindo maior participação na gestão da companhia. Caso consiga emplacar o novo acordo de acionistas, o estado vai atrair para o seu lado dois de seus principais adversários. Mais do que isso: deixará isolado no front o seu mais agressivo oponente, o investidor Lírio Parisotto, comandante de uma espécie de “Exército da Libertação da Celesc” ? ou, para muitos na empresa, “Exército da Libertação de si próprio”, por conta do seu interesse em deixar o negócio. Procurada pelo RR, a Celesc negou a mudança no acordo de acionistas. Previ e Tarpon foram aliados da Geração Futuro, corretora que administra mais de R$ 1 bilhão em investimentos de Parisotto, em diversos ataques contra o governo de Santa Catarina. O trio chegou a entrar na Justiça para assegurar o direito de ampliar sua presença na gestão executiva e no Conselho de Administração da Celesc. Ao emplacar o novo acordo de acionistas, o governo espera enfraquecer Parisotto em um momento crucial. O investidor prepara- se para entrar na Justiça contra a companhia. Ele exige que a Celesc lhe conceda o direito de retirada, isto é, compre suas ações com base no valor patrimonial, bem superior a  cotação em mercado. Parisotto argumenta que os demais acionistas, instados pelo governo catarinense, alteraram o objeto social da Celesc sem a sua anuência. O governo catarinense entende que as chances de uma vitória jurídica do “investidor guerrilheiro” cairão significativamente caso ele não tenha o apoio da Previ e da Tarpon. Por detrás de toda esta movimentação estaria o interesse do acionista controlador da Celesc de forçar a rendição societária de Parisotto, obrigando- o a vender ao estado a sua participação com base no valor de mercado.

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