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Acervo RR
A indústria de motocicletas também vai ter um pacote de bondades para chamar de seu. O governo prepara medidas para estimular o aumento da produção, a retomadas das vendas de veículos e, sobretudo, estancar a hemorragia de postos de trabalho no setor. Na semana passada, autoridades e representantes do setor se reuniram em Brasília para tratar de um plano de ações. Foi justamente a longa temporada de demissões entre as fabricantes de motos que acendeu a luz vermelha no painel da equipe econômica. A situação é considerada crítica. No período de apenas um ano, mais de 40% dos empregados do setor foram dispensados ou entraram em férias coletivas. Grandes empresas, como Suzuki e Yamaha, segunda no ranking nacional, não conseguiram escapar de significativos ajustes em seu quadro de pessoal. Duas medidas encabeçam as ações do governo na tentativa de tracionar a indústria de motocicletas. Na roda dianteira, desoneração tributária, mais especificamente redução do PIS/Confins; na roda traseira, aumento de crédito. Neste caso, os próprios bancos federais se integrarão a tour de force. Banco do Brasil e Caixa Econômica vão aumentar o volume de recursos e reduzir os juros para a compra de motos. Nas conversas com executivos do setor, membros da equipe econômica se convenceram de que a escassez de crédito é um fator tão ou mais grave do que o custo tributário no atual cenário da indústria motociclística. No início do ano, de cada dez pedidos de empréstimo para a compra de uma moto, seis eram aprovados. Os bancos, no entanto, deram um cavalo de pau e praticamente se esconderam atrás de uma nuvem de fumaça. Hoje, a média de autorização de financiamento não chega aos 20%. Para se ter uma ideia, o Banco Honda, que há um ano era apenas o quinto maior financiador de motos no país, assumiu o primeiro lugar do ranking. Os japoneses podem até ter elevado a oferta de crédito, como, de fato, fizeram. Mas, na verdade, foram os grandes bancos deste segmento que deram marcha a ré. É o caso, por exemplo, do Votorantim e do PanAmericano, que reduziram em muitas cilindradas o volume de empréstimos neste segmento.
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