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Acervo RR
Como será o amanhã da Staples no Brasil? Esta pergunta tem sido feita pelos próprios executivos da empresa no país. Com a chegada ao mercado brasileiro de sua maior concorrente global, a também norteamericana Office Depot, o consenso na subsidiária é que só existem dois caminhos: ou o grupo – maior rede de material de escritório do mundo, com faturamento de US$ 25 bilhões – põe a faca entre os dentes e monta uma operação compatível com o seu tamanho ou, então, é melhor começar a arrumar as gavetas e preparar a viagem de volta. Quem conhece a Staples por dentro aposta suas fichas na primeira hipótese e garante que a companhia vai partir com tudo para uma aquisição no Brasil. Neste caso, todas as atenções estão voltadas na direção da Kalunga, maior varejista do segmento no país. No ano passado, os norte-americanos chegaram a manter conversações com a família Garcia, controladora da empresa, mas não teriam sequer apresentado uma oferta formal. Agora, no entanto, a Staples tem motivos de sobra para voltar a carga e colocar uma proposta caprichada sobre a mesa do empresário Damião Garcia e de seus herdeiros. Procurada, a Staples informou que “avalia todas as possibilidades para sua expansão, o que inclui aquisições, abertura de lojas próprias e parcerias”. A Kalunga, por sua vez, não se pronunciou. Aos olhos dos executivos da Staples no país, a compra da Kalunga é vista como um movimento absolutamente fundamental para enfrentar a Office Depot no mercado brasileiro. Até porque, na empresa, ninguém acredita que a rival vai se limitar ao acordo operacional com a Gimba, anunciado há duas semanas. Aos olhos da Staples, a parceria teria sido apenas uma antessala para a posterior venda do controle da empresa paulista para a Office Depot. A eventual aquisição garantiria automaticamente aos norte-americanos a liderança disparada do cobiçado segmento corporativo. Controlada pela família Zaninotto, a Gimba detém cerca de dois terços da venda direta de material de escritório para empresas. Desde que chegou ao Brasil – com a compra do site Officenet, em 2005 -, a Staples vive uma trajetória errática. Passou por sucessivas trocas de comando no país, teve de digerir perdas razoáveis e ainda enfrentou problemas logísticos. A complexa reestrututação da Officenet, marca extinta no ano passado, atrasou os planos do grupo de abrir lojas físicas. A compra da Kalunga, que tem 60 pontos de venda, viria para suprir esta lacuna.
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