State Grid puxa mais linhas para o seu carretel - Relatório Reservado

Acervo RR

State Grid puxa mais linhas para o seu carretel

  • 6/09/2012
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A declarada resistência do governo a  expansão da State Grid no Brasil – vide as manobras para evitar a venda da NeoEnergia ao grupo – parece não passar de uma caspa sobre os ombros dos chineses. Sem se intimidar com a ambiência política desfavorável, a companhia prepara uma nova investida no país. Negocia a compra de 25,5% da Norte Brasil Transmissora de Energia, pertencente a  Abengoa. O consórcio é responsável por um dos maiores projetos em curso no segmento: a construção das linhas de transmissão entre as hidrelétricas do Rio Madeira e São Paulo, com extensão de 2,3 mil quilômetros. O empreendimento está orçado em R$ 2 bilhões. A operação é mais uma amostra do poder de fogo dos chineses. A State Grid ofereceu cash R$ 600 milhões por pouco mais de um quarto do capital da Norte Brasil. Quer também assegurar a opção de compra de mais 25% no prazo de dois anos, o que lhe daria o controle do consórcio. O grupo asiático já sinalizou também a disposição de bancar metade do valor necessário para a construção das linhas de transmissão. Assegura ter no coldre o financiamento de um pool de bancos chineses. Procurada pelo RR, a Abengoa não retornou. Já a State Grid não quis comentar o assunto. Esta não é primeira vez que a State Grid vai a  fonte da Abengoa para saciar sua sede de aquisições no Brasil. Em 2010, os chineses pagaram cerca de R$ 3 bilhões por sete concessões da Plena Transmissoras, controlada pelo grupo espanhol em sociedade com as conterrâneas Elecnor, Isolux e Cobra. Desta vez, a conjuntura favorece ainda mais os asiáticos. A Abengoa tem sido obrigada a vender ativos internacionais para cobrir perdas decorrentes da crise econômica espanhola. No caso da Norte Brasil, não está se falando de uma empresa qualquer. Trata-se da maior operação do grupo no país em que ele mais apostou suas fichas. É uma decisão sofrida, mas os ibéricos não têm muita margem de manobra. A State Grid joga justamente com a encruzilhada econômica da Espanha e seu impacto sobre a Abengoa para garantir a compra futura do controle da Norte Brasil. Com a aquisição, os chineses ampliariam ainda mais seu poder no segmento e passariam a operar mais de nove mil quilômetros de linhas transmissoras. Com esta marca, superariam a Cemig, que tem em seu novelo cerca de 7,5 mil quilômetros. E não vai parar por aí. Além dos recursos reservados para a negociação com a Abengoa, a State Grid promete investir mais US$ 1 bilhão no país nos próximos três anos. Esse valor inclui a construção das linhas já sob sua concessão e a compra de novos ativos

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