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Acervo RR
Em junho, ao se encontrar com Dilma Rousseff no Palácio do Planalto, o CEO mundial da Alcoa, Klaus Kleinfeld, garantiu que o grupo não faria cortes de produção no Brasil. No entanto, bastaram dois meses para a promessa começar a ruir. Segundo informações filtradas junto a própria empresa, a direção da subsidiária tem se reunido para discutir um cronograma de redução gradativa das atividades nas plantas de fundição de alumínio de São Luís (MA) e Poços de Caldas (MG) – ambas processam atualmente cerca de 350 mil toneladas por ano, De acordo com uma das fontes ouvidas pelo RR, ligada a Alcoa, a meta seria diminuir a produção em até 15% ao longo dos próximos quatro meses. Na própria companhia, contudo, não se sabe ao certo até onde a lâmina da matriz pode cortar. Caso os resultados alcançados com a eventual redução de produção não sejam satisfatórios, há o temor de que o grupo tome uma atitude mais extrema, leia-se a paralisação temporária ou até mesmo o encerramento das atividades de uma das fábricas. Neste caso, todos os olhares se voltam para Poços de Caldas. O RR apurou que a unidade industrial estaria operando abaixo das metas de rentabilidade fixadas pela empresa. Além disso, a planta mineira tem uma fragilidade natural em relação a São Luís: produz apenas um terço da capacidade total da fábrica maranhense. Procurada pelo RR, a Alcoa negou os cortes ou o fechamento da fábrica de Minas Gerais. A empresa informou que, em janeiro, as duas unidades “estavam sob risco de redução das linhas de produção, devido aos baixos preços do alumínio, aliados aos altos custos de energia praticados no Brasil.” Garantiu, no entanto, que “em momento algum tratou do fechamento de unidades”. O problema é que, do início do ano para cá, a equação ficou ainda mais desfavorável para a Alcoa. O aumento das tarifas de energia – a alta acumulada no período de um ano estaria na casa dos 15% – coincidiu com uma temporada de queda das cotações de alumínio no mercado internacional. Este binômio, como não poderia deixar de ser, afetou ainda mais a rentabilidade da subsidiária. Não por acaso, nos últimos meses, o tema custo de produção tornou-se um mantra entoado publicamente pelos dirigentes da companhia. O próprio Klaus Kleinfeld tratou do assunto no encontro com Dilma Rousseff. Por sua vez, o presidente da Alcoa na América Latina e no Brasil, Franklin Feder, tem feito reiteradas reclamações explícitas em relação ao custo da energia no país. Ressalte- se ainda que o grupo não vem conseguindo deslanchar seus projetos de autossuprimento. Há mais de dez anos, a Alcoa espera pelas licenças prévias para a construção de duas hidrelétricas, projetos que aliviariam razoavelmente o impacto da variável energia sobre seus custos de produção.
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