Brasil é um bug nas operações da Lenovo - Relatório Reservado

Acervo RR

Brasil é um bug nas operações da Lenovo

  • 28/08/2012
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O israelense Dan Stone assumiu o comando da Lenovo no Brasil com um desafio prioritário: sobreviver. Nada mais compreensível para quem chega como o quinto presidente da subsidiária desde 2007 – o último deletado foi o chinês Xia Li, afastado há pouco mais de um mês. A rotatividade – bastante elevada para os padrões do universo corporativo – reflete a crescente insatisfação dos chineses com os rumos da operação brasileira. Stone chegou ao cargo sob forte pressão. Nas últimas semanas, segundo informações filtradas junto a  própria Lenovo, a direção da subsidiária e a matriz teriam mantido uma intensa agenda de conversas, nas quais os chineses subiram o tom, descontentes com a performance da empresa no país. Os dirigentes da companhia jogaram nas costas da subsidiária brasileira a responsabilidade pelos problemas que têm impedido o crescimento da marca no país. A orelha de Xia Li deve ter ardido. Os chineses não pouparam críticas a s medidas adotadas pelo executivo, que teriam reduzido a rentabilidade da empresa sem alavancar as vendas de computadores nos níveis esperados pela matriz. Nos últimos meses, a Lenovo aumentou os investimentos em marketing. Ao mesmo tempo, teria reduzido ao limite do limite da responsabilidade suas margens de lucro. Sua política de preços, inclusive, tornou-se alvo de controvérsia no setor. Executivos da área de informática ouvidos pelo RR garantem que os chineses estão vendendo alguns de seus modelos no Brasil a valores finais ligeiramente abaixo do custo de produção, em uma tentativa de ganhar mercado. Vai ver, é intriga da oposição. O fato é que, mesmo com todas as medidas, a Lenovo não tem conseguido alcançar no país uma posição compatível com o seu porte mundial. A empresa ocupa o sétimo lugar no ranking dos fabricantes de computadores. Muito pouco para quem desembarcou nestas terras, logo após a compra mundial da divisão de PCs da IBM, com planos de transformar o Brasil em uma de suas maiores operações mundiais. Segundo um executivo com passagem pela Lenovo, alguns fatores explicam a dificuldade para a empresa expandir sua operação no Brasil. A companhia teria demorado para encontrar um padrão de computador que se adequasse ao gosto do consumidor. Haveria ainda problemas de relacionamento com grandes redes de varejo. Entre os distribuidores, a empresa carrega o estigma de ser muito pouco flexível na negociação de preços. Dan Stone sentou-se na cadeira que eletrocutou quatro antecessores em cinco anos com o risco de receber uma descarga ainda maior em caso de insucesso. O executivo chegou ao cargo em um momento nevrálgico da Lenovo no Brasil. Os chineses deverão redobrar a pressão sobre a subsidiária brasileira diante dos investimentos já anunciados no país. O grupo pretende construir uma fábrica e assumir a produção de seus equipamentos no Brasil, hoje a cargo de empresas terceirizadas, como a Flextronics. Mesmo com todos os problemas, os chineses não perdem a pose. Afirmam que, com a produção local, a empresa vai brigar pelo primeiro lugar do mercado. Em outras circunstâncias, seria apenas uma meta ousada. Mas, em se tratando da Lenovo, o objetivo soa como um prematuro ultimato para o recém-chegado Dan Stone. Procurada pelo RR, a Lenovo não quis se pronunciar.

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