Caixa Econômica busca um teto para a Tenda - Relatório Reservado

Acervo RR

Caixa Econômica busca um teto para a Tenda

  • 20/08/2012
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A Caixa Econômica Federal, tutora do “Minha Casa, Minha Vida”, vem acompanhando com lupa e boa dose de preocupação a situação da Tenda. A construtora, que tem grande parte de seus imóveis financiada no âmbito do programa habitacional do governo para a baixa renda, enfrenta notórios percalços financeiros. No ano passado, foi responsável por mais de 60% dos prejuízos de sua controladora, a Gafisa, que fechou 2011 com perdas superiores a R$ 1 bilhão. Diante das circunstâncias e das dificuldades da Gafisa em encontrar um comprador para a Tenda, crescem as chances de a empresa contar com o luxuoso auxílio do governo. De acordo com uma alta fonte da Caixa Econômica, formalmente não há sequer menção a estudos na instituição, mas algumas alternativas vêm sendo conversadas nas reuniões de diretoria. Uma das hipóteses discutida passa pela própria Caixa Econômica, com a entrada em cena da CaixaPar. Caberia a  subsidiária do banco estimular a fusão da Tenda com outra construtora focada no segmento de habitação popular. Sua presença na operação se daria mediante a compra de uma participação no capital da nova companhia. Não custa lembrar que um dos objetivos que motivaram a criação da CaixaPar, em 2008, ainda no governo Lula, foi justamente a sua associação com empresas do setor de construção civil – a  época, para evitar que a crise mundial causasse solavancos no mercado imobiliário. Procurada pelo RR, a Caixa Econômica comunicou que “não confirma as informações”. Já a Gafisa divulgou que “não comenta especulações de mercado”. A Gafisa tem se empenhado para reforçar os pilares financeiros da Tenda – não por acaso, o grupo conseguiu reduzir seu prejuízo de R$ 75 milhões entre janeiro e junho de 2011 para R$ 30 milhões em igual período neste ano. A empresa cortou custos e vendeu terrenos para ampliar seu caixa. Em uma atitude conservadora, a Gafisa decidiu cancelar qualquer lançamento imobiliário da controlada no primeiro semestre. Com isso, a Tenda passou a concentrar todos os seus esforços na entrega de obras já em andamento – são 18 mil imóveis ao todo. Uma parte considerável destes projetos está atrasada, exatamente uma das razões de preocupação da Caixa Econômica. Ressalte- se que a companhia lidera o ranking do Procon de São Paulo no setor imobiliário por conta justamente do número de queixas relacionadas a  entrega de imóveis financiados no “Minha Casa, Minha Vida”. Mais de 80% das reclamações contra o grupo Gafisa formalizadas entre janeiro e junho deste ano foram relacionadas a  Tenda. O temor da Caixa Econômica é que qualquer espirro mais forte em uma construtora do porte da Tenda atrapalhe os esforços que têm sido feitos pelo governo para agilizar a conclusão das obras no âmbito do “Minha Casa, Minha Vida”. Dados divulgados recentemente mostram que, em relação a  primeira fase do projeto, foram entregues cerca de 40% do total de um milhão de unidades. Quanto ao “Minha Casa, Minha Vida” 2, dos 680 mil imóveis contratados entre 2011 e maio de 2012, 36% já foram entregues. O governo pretende fechar o ano com um índice acima dos 60%.

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