Sobrou para a Louis Dreyfus apenas um pé de laranja-lima - Relatório Reservado

Acervo RR

Sobrou para a Louis Dreyfus apenas um pé de laranja-lima

  • 17/08/2012
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Henrique Freitas, diretor da área de sucos da Louis Dreyfus Commodities (LDC) no Brasil, já não sente o adocicado sabor da laranja quando pensa na gestão da empresa. Os próximos meses do ano serão cítricos, quase azedos. Até recentemente, a  frente da missão de expandir o negócio por meio de aquisições, o executivo recebeu ordem expressa de Paris para puxar o freio de mão e esquecer novos laranjais. Antes que algum apressado conclua que a LDC esteja passando por qualquer dificuldade financeira no país, cabe esclarecer que a empresa vai bem, obrigado. Mas os novos números de vendas apresentados a  matriz há poucas semanas, com queda de quase 1% do consumo mundial no ano passado, somados aos relatórios prevendo uma retração parecida do consumo no mercado brasileiro, o que não aconteceu em 2011, acenderam a luz amarela da holding. O recado para Henrique Feitas foi curto e grosso: segura, revê, posterga. Os questionamentos dos franceses chegam a ser retroativos, colocando em dúvida, por exemplo, o acerto da decisão de comprar, no início deste ano, a unidade de cítricos da cooperativa paranaense Cocamar, com desembolso aproximado de R$ 60 milhões. Se fosse hoje, dificilmente a Cocamar seria adquirida. O vendaval provindo da holding da LDC pegou de surpresa Henrique Freitas, que se preparava para novas investidas sobre concorrentes. O executivo sabia que sua senhoria estava vendo o laranjal diminuir, mas não que o futuro seria um pé de laranjalima. Portanto, de novidades terá que se contentar apenas com a Cocamar, que fica como uma espécie de carry over de tempos melhores. A má nova é que o resto de suco terá que ser tomado com purgante, ou seja, até o fim deste mês, Segundo informações filtradas junto a  LDC, Freitas deverá apresentar um plano de cortes de custos de R$ 80 milhões, com direito a renegociação de contratos com fornecedores, redução de preços e redirecionamento das exportações para o mercado asiático. Os embarques para Europa e América do Norte deverão ter redução de 5%. A nova política afetará a lucratividade da divisão de sucos cítricos, que, na melhor das hipóteses, terá uma queda da ordem de 10%. Procurada pelo RR, a LDC negou a redução de investimentos e as mudanças no roteiro das exportações. No entanto, segundo fonte ligada a  empresa, o próprio comissariado francês da Louis Dreyfus entende que, se teimasse em crescer pela via das aquisições, o saldo negativo no Brasil seria ainda maior. Henrique Freitas tentou argumentar que a mudança de rota da LDC vai jogá-la para escanteio no processo de consolidação do setor, iniciado com a fusão entre a Citrovita e a Citrosuco e a decisão da Cargill de voltar a esse mercado no Brasil. Recebeu um bagaço como resposta. Por ora, vai apenas descascar o que tem.

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