Toyota chega a Sorocaba com a mala cheia de problemas - Relatório Reservado

Acervo RR

Toyota chega a Sorocaba com a mala cheia de problemas

  • 9/08/2012
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Hoje, quando estiver cortando a fita da inauguração da fábrica da Toyota em Sorocaba, (SP), o presidente da montadora para o Mercosul, Shunichi Nakanishi, provavelmente ostentará um sorriso que não condiz com seu estado de espírito. O dia será de festa, mas, no íntimo, diversos problemas estarão ricocheteando na cabeça do executivo – a começar pelo próprio complexo industrial, que vai ligar os motores cercado de interrogações. Para efeitos externos, a meta inicial de produção de 70 mil veículos por ano está mantida. Mas Nakanishi sabe bem quantos quilômetros separam as aparências da realidade. Ele tem feito de tudo para manter o projeto original intocado. Nas últimas três semanas, de acordo com uma fonte próxima ao executivo, os contatos com a matriz foram intensos e desgastantes. A montadora está irredutível em puxar o freio e começar a operação de forma bem mais cautelosa. Segundo informações filtradas junto a  Toyota, a produção inicial poderá ser cortada a  metade, ou seja, 35 mil automóveisanuais. Dependendo da resposta do mercado, sobretudo em relação ao compacto Etios, primeiro modelo produzido em Sorocaba, a montadora começaria, então, a soltar as rédeas. Mas sempre mantendo as mãos bem secas que é para a brida não escapar demais. Além disso, a produção de um segundo modelo já em 2013, dada como certa na subsidiária brasileira, voltou para o fundo da garagem. Procurada pelo RR, a empresa não se pronunciou. O esforço de Nakanishi em manter os planos previstos para a primeira fase da operação esbarra nas condições do mercado e, mais particularmente, nos resultados acumulados pela Toyota no ano. Entre janeiro e junho, a montadora vendeu praticamente o mesmo número de veículos na comparação com o primeiro semestre de 2011. Diante das oscilações do setor, poderia até ser uma boa notícia. No entanto, nos últimos dois meses do semestre, a Toyota teria registrado uma queda média de 8% na comparação com o volume comercializado em maio e junho do ano passado. Nakanishi tem ainda outra granada sem pino no colo. O frenesi trabalhista que toma conta da indústria automotiva teria começado a se espraiar pela na fábrica da empresa em Indaiatuba (SP). Lideranças sindicais da região estariam fazendo carga por aumento dos salários dos trabalhadores locais. Inclusive, já existe internamente um clima de rivalidade com Sorocaba. Por conta do aquecimento do setor nos últimos dois anos, a Toyota teria contratado funcionários para a nova fábrica com salários médios superiores aos pagos aos empregados de Indaiatuba que ocupam as mesmas funções.

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