Eliane pisa em cerâmicas cada vez mais ensaboadas - Relatório Reservado

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Eliane pisa em cerâmicas cada vez mais ensaboadas

  • 16/07/2012
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Qual a distância que separa uma empresa do êxtase e da agonia? Para a Eliane, este espaço é pequeno, talvez não superior a um ou dois azulejos. A companhia catarinense – que esteve a alguns centímetros de se tornar acionista de um dos maiores fabricantes de cerâmica da América Latina, com faturamento superior a R$ 1 bilhão – tem caminhado por pisos escorregadios após a frustrada fusão com a Portobello. Na empresa, já se dá como certa a necessidade de novas paradas de produção ao longo de agosto na tentativa de esvaziar os estoques, inflados pelo ritmo de vendas abaixo do esperado. A Eliane já adotou procedimento similar em fevereiro, quando paralisou as atividades em cinco alto fornos nas fábricas de Criciúma e de Cocal do Sul. Se confirmada, a nova interrupção será bem mais impactante e sintomática do que a realizada no primeiro trimestre – período em que a pisada no freio não chega a ser um fato incomum no setor, por conta da forte produção no fim do ano. Consultada, a Eliane não quis se pronunciar. Rasgada a página da fusão com a Portobello, os Gaidzinski, controladores da empresa, estudam medidas capazes de fortalecer a musculatura da Eliane. O cardápio de opções sobre a mesa é restrito. A família chegou a pensar na ressurreição do projeto de IPO, mas a crise nos mercados internacionais é um estorvo natural a  emissão de ações no curto prazo. A alternativa a  abertura de capital é mais do mesmo, ou seja, tentar uma associação com outro grande grupo do setor. Não existem muitos nomes de peso. Basicamente, há dois caminhos no mercado brasileiro: a espanhola Rocca e a Cecrisa – esta última, aliás, estaria negociando parte de seu capital para a Vinci Partners, de Gilberto Sayão. No entanto, após a ruptura com a Portobello, o poder de barganha da Eliane para uma fusão foi seriamente afetado. Para todos os efeitos, a operação não se consumou devido a  sobreposição de negócios – como se as duas empresas não tivessem mapeado cada milímetro de suas operações antes do anúncio do acordo. Na verdade, segundo fontes ligadas a  Portobello, ela teria desistido da associação por conta do endividamento da Eliane. Após serem feitas as contas do passivo de cada companhia, a participação dos Gaidzinski na nova holding, que inicialmente seria de 40%, cairia para 20%. Ou seja: vai ser difícil a família encontrar uma outra empresa para se associar e manter uma posição, pelo menos, paritária. Do jeito que a coisa anda, pode ser que essa seja a única solução.

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