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Acervo RR
É grande a pressão na cabine de comando da Embraer. Segundo uma fonte ligada a própria empresa, está cada vez mais difícil a convivência entre o presidente, Frederico Curado, e dois de seus principais executivos, Paulo Cezar de Souza e Silva, responsável pela área de aviação comercial, e Luiz Carlos Aguiar, vice-presidente de Defesa e Segurança. As desavenças estariam relacionadas a performance de cada um na companhia, só que, curiosamente, por razões opostas: um pelo que tem feito de menos e o outro pelo que tem feito de mais. No caso de Souza e Silva, o desgaste com Curado se deve aos recentes resultados da Embraer no segmento de aviação comercial. Entre janeiro e março deste ano, as vendas avançaram apenas 7,6% em relação ao primeiro trimestre de 2011, menos da metade do crescimento total da receita da companhia (16,7%). No mesmo período, a participação da divisão de aeronaves comerciais no faturamento geral da Embraer caiu de 71,2% para 65,7%. O índice é superior aos 64% registrados ao fim de 2011, mas estaria abaixo da meta. Com base nas entregas previstas para os próximos cinco meses, projeções da Embraer indicam que o segmento de aviação comercial poderá fechar 2012 praticamente no zero a zero, com uma receita muito próxima a obtida no ano passado. A estes números somam-se ainda divergências de ordem estratégica. Souza e Silva teria defendido a manutenção do projeto de produção de uma nova família de aeronaves, de maior porte. Curado, no entanto, mandou o investimento para o hangar, por considerá-lo de alto risco diante das atuais condições do mercado internacional de aviação. Em relação a Luiz Carlos Aguiar, a situação é mais complexa. O problema é o crescente poder do executivo. Segundo informações filtradas junto a empresa, Aguiar comanda a área de Defesa como se tivesse criado uma Embraer dentro da Embraer. Ele teria transformado sua diretoria em um sistema nervoso autônomo, sem qualquer conexão sináptica com o alto-comando da companhia. Os atritos com Frederico Curado tornaramse inevitáveis. Em parte, o fortalecimento de Aguiar reflete a importância estratégica cada vez maior da divisão de defesa e segurança para os negócios da Embraer. No entanto, a questão ultrapassa os limites de São José dos Campos. Aguiar tem costas fumegantes. Ligado ao PT, ele foi indicado para o cargo pela Previ – da qual foi diretor de investimentos. Neste caso, a margem de manobra de Curado é muito pequena. Bater de frente com Aguiar significa resvalar nas asas de um dos principais acionistas da Embraer – e ainda triscar no governo. Procurada pelo RR, a Embraer “negou veementemente as insinuações”.
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