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Acervo RR
Não há sal de fruta, chá de boldo ou copo de leite capaz de aliviar a azia do presidente da GRSA, Eurico Varela. As relações entre a britânica Compass, controladora da empresa, e o executivo estão cada vez mais indigestas. De acordo com informações filtradas junto a própria companhia, internamente já se fala até na possibilidade de uma troca de comando, com a vinda de um executivo da matriz. Aos olhos dos ingleses, a subsidiária não vem fazendo jus a performance, ao porte e aos planos da Compass, maior fornecedora mundial de refeições coletivas. O molho começou a desandar em setembro, quando a GRSA perdeu a liderança do mercado brasileiro com a venda da gaúcha Puras para a francesa Sodexo. Varela tentou dar o troco na mesma moeda. Saiu no encalço da Gran Sapore, uma das últimas grandes empresas do setor ainda imunes a investida estrangeira. A aquisição permitiria a GRSA elevar seu market share de 15% para 23% e reassumir a dianteira do ranking. No entanto, o RR apurou que, nas últimas semanas as negociações esfriaram consideravelmente, o que tornou ainda mais tensa a convivência entre Varela e a Compass. Procurada pelo RR, a GRSA informou que não há desavenças entre Eurico Varela e a Compass. Negou ainda a intenção de comprar a Gran Sapore. Esta última, por sua vez, também esclareceu que não tem planos de venda do controle. A perda da liderança do mercado é a piéce de résistance de um banquete de pratos frios. Além da perda da posição para a Sodexho, a GRSA não tem conseguido ampliar seu market share e sua receita no ritmo desejado pelos ingleses. Ao mesmo tempo em que se distanciou do topo do ranking, a empresa vê crescer no seu retrovisor a própria Gran Sapore. Em termos de faturamento, a diferença entre as duas ainda é substancial: cerca de R$ 800 milhões por ano. No entanto, a recente curva do desempenho de ambas favorece a Gran Sapore. No ano passado, sua receita cresceu mais de 20%. O avanço da GRSA teria ficado na casa dos 10%. A insatisfação da Compass é potencializada pela aposta feita pelo grupo no Brasil. Entre 2012 e 2013, os ingleses vão investir cerca de R$ 200 milhões na controlada.
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