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Acervo RR
A Marilan parece ter algo mais doce do que seus próprios biscoitos. Em compensação, os acionistas controladores devem ser um amargor só. Apenas esta paradoxal combinação explica o vai-e-vem que tem marcado o processo de venda da indústria de alimentos sediada em Marília (SP). Depois de Bunge, Nestlé, Pepsico e M. Dias Branco, mais um peso-pesado do setor está negociando a aquisição da companhia. Trata-se da argentina Arcor. Segundo informações filtradas junto a Marilan, a operação gira em torno de R$ 650 milhões. Caso feche a aquisição, a Arcor praticamente duplicará seu market share no mercado brasileiro de biscoitos, passando de 7% para 13,5%. Suas vendas saltariam de R$ 1 bilhão para perto de R$ 1,4 bilhão. No entanto, para abocanhar os biscoitos da Marilan, não bastará ao grupo argentino pagar o valor pedido e ponto final. Tão ou mais difícil será superar as desavenças entre os próprios acionistas da empresa paulista, justamente o fator que teria impedido a venda para os candidatos que antecederam a Arcor. Os repetidos divórcios prévios entre a Marilan e seus pretendentes é resultado da linha tênue que separa as decisões estratégicas da empresa e a vida conjugal, ou melhor, a antiga vida conjugal de seus acionistas. Maria Isabel da Silva, ex-mulher de um dos herdeiros da companhia, José Geraldo Garla, e dona de 10% do capital, seria o principal óbice a negociação do controle. Maria Isabel se opõe ao valor pedido pela família Garla. A desavença com a ex-mulher teria agastado as relações entre José Geraldo e seus dois irmãos, José Carlos e José Rubis. Procuradas, Marilan e Arcor negaram qualquer negociação. A empresa paulista garantiu também que não há divergências entre seus sócios. Enquanto os laços de família dos Garla não atam e nem desatam, a Arcor se encontra diante de uma encruzilhada. A direção dos seus investimentos depende da definição do impasse em torno da compra da Marilan. Se o negócio sair, os investimentos no greenfield terão um peso menor. Caso contrário, os argentinos vão colocar ainda mais fermento na expansão de suas fábricas. Com ou sem Marilan, o grupo pretende diversificar seu portfólio como forma de driblar o momento de baixa caloria do mercado brasileiro de biscoitos. No ano passado, as vendas do setor ficaram praticamente estagnadas.
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