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Acervo RR
Seu nome é Tzeng Uen, mas pode chamar de Ricardo. Aliás: melhor não chamar. O discretíssimo empresário nascido em Taiwan e naturalizado brasileiro, que não gosta de aparecer com nenhuma das duas identidades, tornou-se contra sua vontade o personagem mais badalado do varejo nordestino. Após recente investida do Magazine Luiza, agora é a Máquina de Vendas que está se armando até os dentes para comprar a Laser Eletro, rede de eletroeletrônicos fundada por ele em 1988. Seu homônimo, Ricardo Nunes, sócio da holding encabeçada pela Ricardo Eletro e pela Insinuante, promete caprichar na isca para fisgar a empresa pernambucana. De acordo com um executivo ligado a Máquina de Vendas, a operação pode passar dos R$ 500 milhões. O RR entrou em contato com a Laser Eletro e a Máquina de Vendas, mas ambas não responderam até o fechamento da edição. Com a eventual compra da Laser Eletro, a Máquina de Vendas ampliará significativamente sua atuação no Nordeste. A empresa pernambucana tem 105 lojas. Sua bandeira está fincada em quase todos os estados da região – as exceções são Maranhão e Piauí. No ano passado, faturou quase R$ 600 milhões. No entanto, a Máquina de Vendas terá um desafio tão grande ou maior do que dobrar a resistência de Tzeng Uen e fechar o negócio: moldar a cultura da Laser a sua imagem e semelhança. A rede nordestina é uma espécie de Quasímodo do varejo, tamanha a tortuosidade de seus procedimentos se comparados aos padrões do setor. A Laser Eletro praticamente não faz propaganda, algo impensável em um ramo intensivo em publicidade. A companhia quase não tem dívidas. Como uma mercearia dos anos 50, paga aos fornecedores a vista ou em prazos bem inferiores aos padrões do setor. Esse estilo fora do convencional é uma extensão da própria personalidade do empresário asiático. Diferentemente da maioria de seus pares no varejo, Uen foge dos holofotes. Não dá entrevistas, nem se deixa fotografar. Há até quem duvide que ele exista.
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