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Acervo RR
A paz societária saiu de moda no figurino da Lojas Renner. Os fundos de investimento que coabitam o capital da rede varejista não conseguem falar a mesma língua. São cada vez mais constantes os desentendimentos em relação ao plano estratégico da empresa. Um dos principais pontos de atrito é o projeto de ampliação da Blue Steel, bandeira do grupo voltada ao público jovem de mais alta renda. Um dos principais defensores do investimento é o eterno diretor-presidente da Renner, José Galló, espécie de patrimônio histórico da empresa, onde está há mais de 20 anos. No entanto, seu poder não é proporcional ao tempo de casa. Um grupo peso-pesado de acionistas – liderado pelo fundo Aberdeen, justamente o maior sócio individual, com 15% do capital – é contra a ampliação da Blue Steel. A alegação é que se trata de um investimento elevado e de retorno duvidoso para os acionistas. Os investidores capitaneados pelo Aberdeen defendem que os recursos devem ser reservados para a expansão da própria Renner. Do outro lado do balcão estariam sócios como os private equities Trowe Price e Blackrock, uma das maiores gestoras de recursos do mundo. Ambos defendem a diversificação de marcas e do portfólio da rede varejista. Procurada pelo RR, a Renner informou que a estratégia de crescimento através da marca Blue Steel “permanece em avaliação”. José Galló e os conselheiros da Renner, indicados pelos próprios fundos, têm de se equilibrar sobre uma corda bamba. A estrutura societária da empresa favorece a existência de atritos. O controle da Renner é pulverizado e não há um acordo de acionistas. Os desentendimentos não são novos, mas os tempos de maior fartura de investimentos evitaram que eles chegassem até a vitrine. Agora, no entanto, a companhia vive um período de austeridade, o que acentuou as diferenças entre os sócios. A desarmonia vai além da Blue Steel e envolve o futuro da própria bandeira principal do grupo. Não há consenso, por exemplo, quanto ao projeto de abertura de 30 lojas da Renner neste ano. Alguns dos fundos argumentam que a falta de liquidez no mercado mundial, o recente aumento da inadimplência e as incertezas quanto a evolução do segmento de vestuário no Brasil tornam o investimento extremamente arriscado.
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