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Acervo RR
O que era um inflamável fator de discórdia – capaz até mesmo de colocar em risco uma das maiores parcerias da indústria brasileira de celulose – tornou-se um ponto de consenso entre Fibria e Stora Enso. Os Ermírio de Moraes e o grupo suecofinlandês estão acertando os ponteiros em relação ao projeto de expansão da Veracel, cujo controle é dividido por ambos. No entanto, ao contrário do que possa parecer, a trégua não deve ser vista como uma notícia positiva. Após exercer forte pressão sobre os sócios para deslanchar o investimento, o Votorantim tem dado sinais de que mudou de lado. De acordo com uma fonte intimamente ligada aos Ermírio de Moraes, a Fibria pretende empurrar o projeto para 2014 ou até mesmo 2015. Dentro da própria companhia, havia a expectativa de que o empreendimento fosse analisado pelo Conselho de Administração ainda neste semestre. O recuo se deve aos contratempos financeiros da Fibria. No momento, todos os esforços do Votorantim estão concentrados na repactuação do passivo da empresa. A dívida líquida soma cerca de R$ 8 bilhões, equivalente a quase 60% do patrimônio. Já foi pior. No início do ano passado, o valor beirou os R$ 11 bilhões. Consultada pelo RR, a Fibria não se manifestou até o encerramento desta edição. A realidade mudou, e os Ermírio de Moraes, também. O alongamento da dívida da Fibria é a prioridade número 1, 2 e 3. A recente performance da companhia também não ajuda. No ano passado, a fabricante de celulose teve prejuízo de R$ 872 milhões, e a receita caiu 6% em relação a 2010. Ressalte-se ainda que o próprio orçamento da expansão da Veracel é uma incógnita. Os primeiros estudos de viabilidade apontavam para a cifra de US$ 2 bilhões. No entanto, de acordo com a mesma fonte, esta quantia teria sido recentemente atualizada para US$ 2,5 bilhões. A cifra foi inflada, sobretudo, pelo aumento dos preços dos equipamentos industriais. As indefinições em torno do preço e da demanda mundial por celulose também jogam contra a duplicação da planta. Por ora, a produção da Veracel, em torno de um milhão de toneladas/ano, dá e sobra.
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