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Acervo RR
O velocímetro da Honda no Brasil tem marcado um número cada vez menor. A montadora está revendo o cronograma e o volume de investimentos previstos para o país. Segundo um executivo ligado a empresa, a decisão partiu da própria matriz, apesar das tentativas da direção da subsidiária de evitar a brusca guinada. Inicialmente, a Honda pretendia aportar cerca de R$ 1 bilhão até 2014. A navalhada nesta cifra poderá chegar a 20%. Além disso, a data para o desembolso deverá ser esticada para 2015 ou, até mesmo, 2016. Procurada pelo RR, a Honda negou o corte de investimentos. No entanto, de acordo com informações filtradas junto a própria empresa, ainda neste semestre os japoneses deverão ajustar o timing e os valores dos aportes. A lanternagem se deve a frenagem das vendas. Entre janeiro e março, o número de veículos comercializados caiu aproximadamente 23% em relação ao mesmo período de 2011. Ressalte-se que, no calendário corporativo, um intervalo tão curto de tempo não costuma ser suficiente para mover montanhas e alterar uma estratégia de longo prazo. No entanto, de acordo com a mesma fonte, dentro da Honda há um consenso de que a companhia exagerou na dose e superestimou o seu potencial de crescimento no Brasil. Ao mesmo tempo, há quem diga que os japoneses teriam se sentido na obrigação de anunciar um investimento superlativo para contrabalançar com a arquirrival Toyota, que está construindo uma nova fábrica em Sorocaba (SP). Por esta linha de raciocínio, a queda das vendas no primeiro trimestre de 2012 apenas precipitou o inevitável: um exercício de mea culpa que, mais ou cedo ou mais tarde, seria feito. Além disso, a recente trajetória da companhia no Brasil é uma estrada cheia de crateras. No ano passado, suas vendas recuaram 26%. No primeiro semestre, a empresa teve problemas para importar peças da matriz por conta dos efeitos do terremoto e do tsunami que afetaram o ritmo industrial local. Com o reescalonamento dos investimentos, o modelo compacto Brio, com lançamento previsto para este ano, só deve chegar a s concessionárias do país em 2013. Se confirmado, o adiamento é emblemático. Há pelo menos um ano, a matriz prepara o início da produção do veículo no país e trata o projeto como a maior aposta para o aumento das vendas no mercado brasileiro.
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