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Acervo RR
Ao contrário do que possa parecer, a recente venda de cinco parques eólicos no Ceará não deve ser encarada como um rito de despedida da indiana Suzlon. Por uma lógica nada retilínea, a empresa recuou uma casa para dar dois passos a frente no Brasil. Os indianos negociam com potenciais parceiros a construção de dez usinas eólicas no país, divididas entre as Regiões Sul e Nordeste. Os novos empreendimentos trarão a reboque uma mudança da estratégia societária da Suzlon. Em vez de ser controladora dos parques eólicos, a companhia indiana passará a ter apenas fatias minoritárias. Procurada pelo RR, a Suzlon informou que “seu objetivo é atender o mercado com soluções customizadas, o que pode incluir participação minoritária em empreendimentos” A pergunta que não quer calar: se o problema era a redução da fatia societária, por que não vender parte das ações das antigas usinas, em vez de construir novos empreendimentos? A instalação de parques eólicos de menor custo teria sido uma condição imposta pelos futuros parceiros da Suzlon: a Enerplan, leia-se o grupo gaúcho Oleoplan, e fundos administrados pelo Banco Votorantim e o Banco do Brasil. Além disso, há motivações de ordem tributária. Os indianos negociam com o governo de três estados benefícios para a construção dos parques eólicos. O que não muda é o objetivo estratégico da Suzlon. Fabricante de equipamentos para usinas eólicas, a empresa indiana enxerga na participação societária em projetos do setor uma forma de garantir cadeira cativa para o fornecimento de máquinas.
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