Apollo Group tira sua matrícula para o controle da Anhanguera - Relatório Reservado

Acervo RR

Apollo Group tira sua matrícula para o controle da Anhanguera

  • 26/03/2012
    • Share

O Apollo Group, um dos mais importantes conglomerados de ensino dos Estados Unidos, partiu com tudo para a prova de recuperação. Após duas frustradas investidas sobre o Grupo Objetivo, de João Carlos Di Gênio, os norte-americanos prometem caprichar na tabuada para cravar a aquisição de uma grande rede de ensino no Brasil. O alvo da vez é a Anhanguera Educacional. Dona de um faturamento anual em torno de R$ 1,2 bilhão, a empresa é líder no segmento de ensino superior no país, com mais de 400 mil alunos matriculados. Segundo uma fonte ligada ao Apollo, trata-se de um negócio que pode passar dos R$ 3,5 bilhões. Musculatura financeira é o que não falta ao grupo norte-americano. Um de seus trunfos é a parceria com o private equity Carlyle, também dos Estados Unidos. Procurada pelo RR, a Anhanguera informou que “por ser uma companhia aberta, segue as normas da CVM e não se manifesta sobre eventuais negociações de venda, fusões e aquisições, anteriormente a  comunicação formal ao mercado”. Aos olhos do Apollo, a Anhanguera pouco lembra a empresa que, nos últimos anos, acostumou-se a rechaçar o interesse de grandes investidores internacionais do setor. Em sua história recente, ela se tornou uma empresa de aritmética sinuosa, marcada por adições e subtrações. O grupo transformou-se em uma máquina de aquisições. Apenas em 2011, foram 12 incorporações. Só na compra da Uniban, pagou R$ 500 milhões. Por outro lado, a empresa tem sofrido as dores do crescimento. Mergulhou em uma drástica reestruturação, com o objetivo de reduzir as despesas operacionais em 30%. Sobrou para os professores. Apenas em janeiro e fevereiro, a rede teria cortado mais de 1,6 mil integrantes do corpo docente. A Anhanguera vem ainda de um período extremamente turbulento em termos de gestão. O executivo Ricardo Scavazza, que assumiu o cargo em novembro do ano passado, é o terceiro presidente da empresa em pouco mais de um ano. Seu antecessor, Alexandre Dias, teve vida curta. Sequer completou o primeiro ano letivo: deixou o comando da rede de ensino após 11 meses, sob intensa cobrança dos acionistas por aumento da rentabilidade. Com um faturamento global na casa dos US$ 5 bilhões e dono, entre outros negócios da Universidade de Phoenix, o Apollo está convicto de que esta é a ambiência perfeita para o bote sobre a Anhanguera.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima