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Acervo RR
Dentro de alguns anos será difícil dizer se a Sol Meliá é uma empresa espanhola com negócios no Brasil ou vice-versa. Os ibéricos decidiram transferir para o mercado brasileiro boa parte dos investimentos que estavam programados para outras regiões ao longo dos próximos anos. O país passou a ser visto pela Sol Meliá como o porto seguro diante da queda acentuada dos resultados de sua operação na Europa – onde está a maior parte de seus 350 hotéis. O RR apurou que os aportes no Brasil deverão somar R$ 3 bilhões no período de dez anos. Os recursos serão usados tanto na construção de hotéis quanto na aquisição de ativos. O grupo contará com o apoio do Santander e da La Caixa. Além do financiamento, os dois bancos deverão entrar no equity do negócio, tornando-se sócios de alguns empreendimentos por meio de fundos de investimento. A meta dos espanhóis é pular de 14 para 50 hotéis em cinco anos, o que fará do Brasil a maior operação mundial da Sol Meliá, a frente até mesmo da própria Espanha. Os planos de aquisição da Sol Meliá no Brasil seguirão critérios geoeconômicos. Os espanhóis consideram fundamental, por exemplo, a compra de uma rede com razoável presença em São Paulo. Neste caso, quem se encaixa como uma luva nas mãos espanholas é a Blue Tree, de Chieko Aoki. O grupo herdaria 23 hotéis, oito deles na capital paulista. Trata- se de um número expressivo levando-se em consideração as dificuldades dos grupos do setor em encontrar terrenos em áreas estratégicas de São Paulo para a construção de hotéis. Outra cidade considerada estratégica pela Sol Meliá é o Rio de Janeiro, por conta dos Jogos Olímpicos de 2016. Neste caso, os holofotes estão direcionados para a Rede Othon. Procurados pelo RR, Meliá e Othon não retornaram até o fechamento desta edição. Já a Blue Tree negou a venda do controle. Há método na escolha da Sol Meliá. Aos olhos dos espanhóis, existe uma interseção entre as redes paulista e carioca que pode facilitar as negociações. Tanto a Blue Tree quanto o Othon são vistas como empresas com limitações para enfrentar as grandes redes internacionais que estão se espraiando no mercado brasileiro. Outro ponto em comum visto pela Sol Meliá: ambas enfrentam dificuldades de sucessão. Em relação ao Othon, no entanto, o Sol Meliá terá de driblar problemas de ordem societária capazes de inviabilizar a venda da empresa. A estrutura acionária da rede é extremamente fragmentada. O bloco de controle é formado por diversos integrantes dos Bezerra de Mello. O futuro da rede Othon sempre provocou divisões dentro da família, criando grupos que falam línguas diferentes, de difícil tradução.
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