Venda da CP Cimento segue um novo script - Relatório Reservado

Acervo RR

Venda da CP Cimento segue um novo script

  • 13/02/2012
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Depois de colecionar frustradas tentativas de venda do controle da CP Cimento, a família Koranyi Ribeiro vai seguir novos rumos. A cimenteira continua no balcão, a  espera de um comprador. No entanto, seus controladores decidiram adotar uma nova estratégia. O primeiro passo foi a discreta incorporação da CP Cimento pela Cimento Tupi, nova holding da família. Esta operação deverá ser sucedida por uma reestruturação societária dos ativos do grupo que passará diretamente pela Bolsa de Valores. Os Koranyi Ribeiro pretendem converter as ações da CP Cimento em títulos da Tupi, com o consequente fechamento de capital da subsidiária. Segundo informações filtradas junto a  própria empresa, a intenção é concluir esta troca de posições até junho. Procurada pelo RR, a Cimento Tupi não retornou até o fechamento desta edição. O objetivo da família é transformar a holding em nova porta de entrada de sócios no grupo. Esta, no entanto, não é a única mudança. Os Koranyi Ribeiro, que passaram os últimos anos decididos a deixar a indústria cimenteira, querem permanecer no negócio. A meta agora é vender uma fatia minoritária da Tupi não para um grupo do setor, mas prioritariamente para um fundo de private equity. De acordo com a mesma fonte ouvida pelo RR, a Santo Estevão Empreendimentos e Participações, onde se concentram as ações da família, deverá reduzir sua participação na Tupi de 84% para 51%. Pode parecer que a mudança de posição dos Koranyi Ribeiro se deu de forma suave e silenciosa. Mas não foi o que ocorreu nas entranhas da família. A decisão de desistência da venda teria provocado desentendimentos entre os principais acionistas da CP. Alguns deles estavam mais preocupados em realizar o lucro, mesmo que a um preço inferior ao valuation da empresa. No entanto, a realidade mudou e a família teve de mudar junto – mesmo aqueles que tiveram de aceitar o novo script a contragosto. Até porque os Koranyi Ribeiro perceberam a possibilidade de fazer do limão uma limonada. Houve duas fortes motivações para esta guinada. A primeira delas é a melhora da performance financeira do grupo. Entre janeiro e setembro de 2011, o lucro das operações na área de cimento cresceu quase 80%. Ao mesmo tempo, pesou e muito na redação deste novo roteiro a dificuldade da família de vender o controle para as principais cimenteiras do país. Nos últimos dois anos, Camargo Corrêa, Votorantim e Holcim chegaram a abrir conversações com os acionistas da CP. No entanto, o trio recuou após consultar seus advogados e receber o parecer de que dificilmente a operação passaria pelo Cade. Sobretudo depois que a Secretaria de Direito Econômico abriu um processo para investigar a denúncia de formação de cartel no setor – não por acaso, Camargo Corrêa, Votorantim e Holcim estão entre as empresas que caíram na malha fina da autoridade antitruste. Curiosamente, o que poderia ser um problema acabou virando uma solução para os Koranyi Ribeiro, Diante deste cenário a família vislumbrou a possibilidade de vender parte da empresa a um fundo de investimento ou – por que não? – em um segundo momento até mesmo para um grupo do setor. Independentemente da cor do gato, o novo parceiro ajudaria a pedalar o crescimento da CP. A empresa tem um projeto para ampliação de suas três fábricas – localizadas em Volta Redonda (RJ), Pedra do Sino (MG) e Mogi das Cruzes (SP) – orçado em R$ 150 milhões.

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