Oji Paper estica a novela da nova fábrica da Cenibra - Relatório Reservado

Acervo RR

Oji Paper estica a novela da nova fábrica da Cenibra

  • 10/02/2012
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Que o projeto de construção da segunda fábrica da Cenibra no Brasil é a mais longa novela da indústria brasileira de celulose até os recém- plantados pés de eucalipto da empresa já estão cansados de saber. O fato novo é que os sucessivos adiamentos – até então resultado de um consenso entre os acionistas – começam a provocar rachaduras na companhia. Está difícil abrigar no mesmo cesto os diferentes interesses dos principais integrantes do Japan Brazil Paper and Pulp Resources Development, consórcio no qual se aninham os quase 20 sócios da empresa mineira. A Nippon Paper defende a construção da nova planta industrial, interessada em garantir o suprimento de celulose para suas fábricas no Japão a preços mais competitivos. A trading Itochu também é favorável ao projeto, que aumentará sua capacidade de distribuição da matéria- prima no mercado asiático. A dupla, no entanto, bate de frente contra uma muralha: a Oji Paper. Principal acionista do consórcio, a empresa é a maior oponente a  execução do projeto. No que depender da sua vontade, dificilmente o empreendimento será reavaliado pelo Conselho de Administração da Cenibra ainda neste ano, como estava inicialmente previsto. Procurada pelo RR, a Cenibra não quis se pronunciar. A Oji Paper alega que não há clareza sobre a demanda mundial por celulose nos próximos anos, o que tornaria a construção da fábrica um movimento temerário e arriscado. Faz sentido. No entanto, alguns dos seus sócios entendem que a companhia japonesa olha apenas para o próprio umbigo e não para os interesses dos demais membros do consórcio. Na condição de maior acionista da Cenibra, a empresa teria acesso a um fornecimento maior de celulose, o que, sob sua ótica, torna prescindível o aumento de produção. Deve-se ressaltar também que, no fim do ano passado, a Oji Paper pagou US$ 300 milhões na compra de uma fábrica de papel em Piracicaba (SP), que pertencia a  Fibria. O apetite dos japoneses em investir na segunda fábrica da Cenibra, que já não era grande, arrefeceu ainda mais. Até porque há um perverso círculo vicioso que só joga contra o projeto. Quanto mais os acionistas da Cenibra adiam o empreendimento, mais caro ele fica. Os estudos iniciais giravam em torno de US$ 1 bilhão. Atualmente, segundo cálculos da própria companhia, a fábrica não sai do papel por menos de US$ 2 bilhões.

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