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Acervo RR
Está sacramentada a sucessão em uma das mais tradicionais e longevas dinastias do setor bancário. A passagem do cetro no Banco Safra, processo que se desenrolou gradativamente nos últimos cinco anos, chegou ao seu ponto de consolidação. Ainda que não de direito, de fato Joseph Safra teria se afastado da gestão do grupo por motivos de saúde. O RR apurou junto a três fontes do Banco Safra, uma delas da operação de Mônaco, que o comando passou a s mãos dos filhos Alberto e Jacob. O primeiro assumiu a administração do Safra no Brasil. Jacob, por sua vez, tomou as rédeas dos bancos no exterior: Mônaco, Luxemburgo, Estados Unidos, Suíça e Israel. Estes últimos, aliás, são suas meninas dos olhos. As duas operações são mais rentáveis do que o próprio Safra no Brasil. Não custa lembrar que todas as instituições do grupo são independentes e não consolidadas. Procurado pelo RR, o Banco Safra, após inúmeros contatos telefônicos e por email, não se pronunciou até o fechamento desta edição. Algumas das atitudes mais extremas adotadas por Joseph Safra nos últimos anos em parte são atribuídas no banco a evolução do seu estado de saúde. O banqueiro foi se distanciando gradualmente do comando do Safra. Aos poucos, tornou-se uma espécie de Rei Lear a s avessas, um monarca afastado, sim, de seu trono, mas sem qualquer episódio de intriga ou traição. A transferência de poder foi feita de maneira suave, consensual e silenciosa. Na linha direta de sucessão, independentemente da maior ou menor vocação para banqueiro, havia um four de ases – os filhos Jacob, Alberto, Esther e David. No final do jogo, ficaram apenas duas cartas no baralho: Jacob e Alberto. A meritocracia falou mais alto do que qualquer critério de consanguinidade. Esther sempre fez um ou outro trabalho dentro da instituição, mas sempre cumprindo missões de segunda linha. Já David é visto pela própria família e pelos executivos do banco como um aprendiz. Ainda é um homem a espera de seu tempo. A relação entre Jacob e Alberto Safra é muito distante do que sempre foi a coexistência entre Joseph e seu irmão Moise, marcada por um permanente clima de incômodo mútuo, potencializado pelo bad end da sociedade. Ainda assim, os dois filhos de “Seu José” mantêm uma convivência relativamente tensa. Existe um ambiente contumaz de competição, como se houvesse uma medição constante do desempenho dos ativos sob controle de parte a parte. Dentro da casa bancária, a rixa não chega a causar perplexidade. A tese é que a desavença sempre esteve na veia dos Safra e nunca fez mal a performance da instituição. Jacob e Alberto também não renegam a paternidade no estilo de gestão. Ambos praticamente tiraram quase todos os executivos com mais de 30 anos de casa e colocaram sua própria turma nos cargos. Ainda assim, fontes de dentro do grupo atestam que os dois herdeiros de “Seu José” têm todos os atributos para manter a linhagem de excelência do clã e dar sequência a uma das mais bem-sucedidas sagas financeiras da história, mantendo o epíteto do Safra: o banco dos banqueiros. Tradição e bons resultados, portanto, não faltarão. A torcida é de que haja paz.
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