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Acervo RR
Não chega a ser um cruzeiro comandado pelo capitão Francesco Schettino, atual inimigo nº 1 da Itália, mas as relações entre os sócios do estaleiro Atlântico Sul estão a deriva. A responsável por deixar o mar revolto é a Camargo Corrêa. A empreiteira quer distância de seus parceiros na empresa – Queiroz Galvão , Samsung e PJMR. Está se movimentando para comprar as ações dos demais sócios, com os quais vive a s turras, e assumir integralmente o controle do estaleiro. As negociações são tensas e se arrastam há cerca de dois meses. O ponto mais complexo envolve a compra da parte da Queiroz Galvão, que, assim como a Camargo Corrêa, controla 40% do negócio e tem forte influência na gestão do Atlântico Sul. A Samsung também é uma incógnita. Os sul-coreanos chegaram a demonstrar recentemente interesse em aumentar sua participação na empresa. Com relação a PJMR, que detém 10% das ações, os herdeiros de Sebastião Camargo entendem que o caminho para a compra da sua participação é mais simples. Procurada pelo RR, a Camargo Corrêa não se pronunciou até o fechamento desta edição. Para a Camargo Corrêa, a relação com os demais sócios do estaleiro pernambucano se tornou insustentável. Além de desavenças relacionadas a política de investimentos e a estratégia do negócio, os atrasos na construção de algumas das principais encomendas azedaram ainda mais a convivência entre os acionistas do Atlântico Sul. O caso mais emblemático é o do navio João Cândido, que deveria estar concluído em 2010, mas ainda não teria sido entregue a Transpetro. O atraso tem causado sério desgaste a imagem do estaleiro e provocado turbulências no relacionamento com a estatal, maior compradora de embarcações do país. A Camargo Corrêa joga parte da responsabilidade pela demora na construção do João Cândido nas costas dos demais investidores, que não teriam aportado recursos na medida certa para manter o cronograma de entrega da carteira de pedidos, que inclui 22 navios, sete sondas de perfuração, além do casco da plataforma P-55. Para completar o clima de divórcio, a própria gestão do Atlântico Sul tem sido objeto de desentendimento entre os sócios. No que dependesse da Camargo Corrêa, o presidente do Atlântico Sul, Agostinho Seraphim, já teria caminhado sobre a prancha e sido lançado ao mar. O executivo, no entanto, conta com o apoio da Queiroz Galvão. Segundo uma fonte da Camargo Corrêa a empreiteira já estuda a alternativa da alternativa caso as negociações para a compra das ações dos sócios no Atlântico Sul encalhem. Um personagem fundamental para este Plano B do B é a espanhola Navantia. A Camargo Corrêa estimularia a entrada do grupo ibérico no capital do estaleiro, de forma a diluir a participação dos demais sócios. Não custa lembrar que a Navantia está na disputa para fornecer onze navios de superfície para a Marinha brasileira e já decidiu que, se levar o contrato, dez destas embarcações serão montadas no Brasil, para atender ao índice de nacionalização. Ou seja: diante de um acordo com o Atlântico Sul, os espanhóis já participariam da disputa de mãos dadas com o estaleiro, que, em caso de vitória, seria o responsável pela construção das embarcações para a Marinha.
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