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Acervo RR
A saída de Antonio Pita da presidência da EDP no Brasil – informação antecipada pelo RR na edição de 26 de dezembro – é apenas a ponta do iceberg. A chinesa Three Gorges, que comprou o controle do grupo português recentemente, prepara uma série de mudanças na subsidiária brasileira. De acordo com um executivo ligado a EDP, os asiáticos pretendem privilegiar os investimentos em geração, reduzindo a hegemonia na distribuição e transmissão. Por ora, segundo a mesma fonte, o controle da Bandeirante, de São Paulo, e da capixaba Escelsa será mantido – no passado recente, o governo português chegou a ensaiar a negociação das duas empresas, mas desistiu para não depreciar o valor da privatização da EDP. Apesar de permanecer com os ativos em distribuição, os chineses deverão fazer um pente- fino nos investimentos das duas concessionárias estaduais. Já no segmento de geração, estão em pauta a participação no capital de grandes projetos hidrelétricos, a começar pelas usinas do Tapajós, e a construção de parques de energia eólica e solar. Na EDP, fala-se em um aporte de dois bilhões de euros no Brasil ao longo dos próximos dois anos. A possibilidade de usar a EDP como cabeça de ponte para o mercado brasileiro foi fator decisivo para a Three Gorges aumentar sua oferta para a compra da participação do governo lusitano na empresa. Do total de investimentos estimados para o próximo biênio, cerca de 25% deverão ser destinados a energia eólica. Esta cifra dá uma ideia do apetite com que os chineses vão desembarcar na EDP do Brasil e do status conferido a esta matriz energética. O valor, de aproximadamente 500 milhões de euros, é o quádruplo do que os portugueses investiram até hoje no país na implantação de dois parques eólicos – um em Santa Catarina e outro no Rio Grande do Sul. No segmento hidrelétrico, o RR apurou que a Three Gorges planeja usar a EDP como ponta de lança para entrar no capital da Norte Energia, consórcio responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte. No caso das geradoras do Tapajós, os chineses devem participar já do primeiro leilão, provavelmente da usina de São Luiz do Tapajós, com capacidade para 6.133 MW, com licitação prevista ainda para este ano.
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