Honda corre atrás dos brasileiros mais afortunados - Relatório Reservado

Acervo RR

Honda corre atrás dos brasileiros mais afortunados

  • 12/01/2012
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O presidente da Honda na América do Sul, Masahiro Takedagawa, vai ter de fazer manobras radicais para cumprir sua principal missão em 2012. Sua tarefa é conduzir uma reestruturação da empresa no mercado brasileiro de motocicletas acima de 450 cilindradas. Há pelo menos cinco anos, a companhia patina na faixa de 25% de participação – um número nada condizente com o seu market share total no Brasil (acima dos 75%). Enquanto isso, os principais concorrentes, como Suzuki, Harley-Davidson e Kawasaki, crescem em seu retrovisor. Segundo informações filtradas junto a  própria empresa, Takedagawa já tem um esboço de medidas para tentar chacoalhar a atuação da Honda neste segmento. Algumas serão mais traumáticas. Devem ocorrer mudanças na gestão do grupo no país – as áreas mais visadas são a comercial e de marketing. Outra medida em estudo é a expansão da rede de lojas preparadas para a comercialização destes modelos. Tratase de um exercício de mea culpa da companhia. Não obstante ser dona da maior rede de revenda de motocicletas do país, a Honda chegou a  conclusão de que o número de concessionárias adaptadas e de profissionais treinados para a comercialização de modelos mais sofisticados seria insuficiente para o tamanho do seu apetite neste segmento. O assunto é tratado como uma questão de Estado dentro da Honda e tem sido alvo de sucessivas reuniões entre diretores das subsidiárias latinoamericana e brasileira e integrantes da matriz. Talvez seja hoje o projeto mais nevrálgico da líder histórica do mercado brasileiro. Este segmento é considerado estratégico pela empresa, por conta do maior valor agregado das motos – os preços nunca ficam abaixo de R$ 30 mil. Há ainda uma questão de “ocupação e defesa do território”. A empresa teme que o avanço de concorrentes internacionais ainda sem fábrica no Brasil os estimule a montar uma operação industrial no país, o que lhes permitiria ingressar em novos mercados. Ou seja: para a Honda, a perda de participação neste nicho é um dique que deve ser sustentado a qualquer custo. Takedagawa estaria negociando com a matriz um investimento de R$ 100 milhões na operação de motos acima de 450 cilindradas. Os recursos seriam usados na expansão da fábrica de Manaus e consequentemente no aumento do número de modelos fabricados no país – uma parcela das motocicletas é importada da asia. Procurada pelo RR, a Honda informou que não divulga números da operação e negou a reestruturação da unidade. Takedagawa terá de conduzir ainda um processo extremamente delicado. Historicamente, a Honda é associada no Brasil a motos de baixa e média cilindradas. A marca nunca esteve diretamente vinculada ao segmento premium. O executivo precisará reposicionar a imagem da companhia em um nicho de atuação sem causar um efeito-cascata e prejudicar o grande ativo da montadora no país: ser a fabricante com maior recall do mercado brasileiro entre as motos de potência e custo mais baixos.

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