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Acervo RR
O próprio presidente da Procter & Gamble no Brasil, Tarek Farahat, está atordoado. É cada vez mais difícil decifrar os sucessivos sinais trocados enviados pela matriz em relação a estratégia do grupo no país. Ora, é tempo de expansão de fábricas e lançamento de produtos; ora, os norte-americanos pisam bruscamente no freio, cancelam projetos e reduzem o orçamento. No momento, os ventos parecem soprar a favor – embora nem o próprio Farahat, já calejado por tantas idas e vindas, saiba ao certo o quanto este fenômeno meteorológico vá durar. A Procter & Gamble vai deslocar para o Brasil recursos que estavam anteriormente previstos para a Europa. A medida faz parte de um grande remanejamento global de investimentos do grupo, com o objetivo de reduzir a exposure nos países mais atacados pela crise econômica. Melhor para o Brasil. Se os camaleônicos dirigentes da companhia não mudarem de tonalidade, a subsidiária será aquinhoada com um aporte de aproximadamente R$ 300 milhões ao longo de 2012, dinheiro que não estava no script. Os planos incluem a expansão das fábricas de Manaus, onde são produzidos equipamentos de higiene e limpeza, e de Louveira (SP), de onde saem diversas linhas de alimentos. O aumento dos recursos também trouxe de volta a tona a possibilidade de construção de uma planta industrial – o local já está escolhido há tempos: Seropédica (RJ). Tarek Farahat sabe muito bem que não existe almoço de graça. Com o volume inesperado de recursos, os executivos da Procter & Gamble no Brasil já dão como certa uma carga extra de cobranças. Ninguém na empresa tem dúvidas de que os norte-americanos vão puxar ainda mais o cabresto da subsidiária, que, nos últimos dois anos, vem sendo pressionada ao extremo. Nem mesmo nos períodos de açodamento dos investimentos, a matriz deu refresco. De 2008 para cá, Farahat suou para manter um crescimento médio de 15%. Para este ano, a meta é de 20%. Os norte-americanos têm razões de sobra para espremer esta laranja cada vez mais. O Brasil é hoje um dos mercados com maiores taxas de aumento de receita do grupo em todo o mundo. O desempenho da subsidiária tem sido fundamental para cobrir a queda dos resultados na Europa, o que explica a transfusão de investimentos.
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