Concorrentes da Rexam batem lata no Cade e na SDE - Relatório Reservado

Acervo RR

Concorrentes da Rexam batem lata no Cade e na SDE

  • 13/12/2011
    • Share

A inglesa Rexam – que, lata em cima de lata, montou uma das operações mais próximas de um monopólio em toda a indústria brasileira – está se armando para o que promete ser uma estafante batalha jurídica. Do outro lado, encontra-se uma miríade de empresas de médio e pequeno portes que tentam se locomover em meio ao latifúndio de alumínio criado pelos britânicos no país, donos de 11 fábricas e de mais de 60% das vendas do setor. Diversas companhias vêm reunindo munição na tentativa de comprovar ao Cade e a  SDE que a Rexam estaria se utilizando de práticas pouco ortodoxas para aumentar sua participação. Segundo a fonte do RR, executivo de uma das rivais da Rexam, um dos principais interessados no levante seria a Crown Embalagens, joint venture entre a americana Crown Holdings e o Grupo Petropar. De acordo com a mesma fonte, a principal acusação contra a Rexam é a de suposta prática de dumping. A empresa estaria trabalhando em algumas regiões do país com preços inferiores aos praticados pelo mercado para fisgar clientes. Poucos meses depois, com a relação comercial já estabelecida, a Rexam reajustaria os valores. Esse tipo de procedimento se daria, sobretudo, com fabricantes regionais de bebidas, na maioria empresas com menor poder de barganha. De acordo com a mesma fonte, a Rexam estaria condicionando a venda de latas com vistas a  formação de estoques para o verão a contratos mais longos. Neste caso, o que joga a favor da líder de mercado é a escassez de produção interna para atender a  demanda. Procurada pelo RR, a Rexam não quis se pronunciar. Caberá aos órgãos antitruste checar se há ou não arestas pontiagudas nas latinhas da Rexam. O certo é que o iminente contencioso entre a empresa e a turma do andar de baixo do setor está diretamente associado aos novos planos de expansão dos ingleses no país. Os projetos devem ser anunciados no início de 2012. O grupo vai partir para a construção de três novas fábricas no Brasil. Mais um motivo para acalorar o embate entre o grupo e seus contendores. Os critérios de expansão territorial da Rexam têm deixado a concorrência com uma pulga atrás da orelha. O grupo inglês estaria direcionando seus investimentos de acordo com os passos de seus rivais. Mais uma vez, a maior inconformada é a Crown, que detém mais de 20% de market share. A companhia inaugurou recentemente uma fábrica de latas de alumínio no Pará. Foi o suficiente para os ingleses anunciarem a instalação de uma planta industrial no estado com capacidade para 1,2 bilhão de latas por ano. Coincidência? A Crown está construindo no Paraná, mais precisamente em Ponta Grossa, sua terceira fábrica no Brasil. Ganha uma coleção de latinhas coloridas quem adivinhar o estado no qual a Rexam pretende instalar uma das três fábricas que estão prestes a sair do forno.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima