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Acervo RR
Os pífios resultados da Mars no Brasil estão levando sua matriz a perder a paciência e procurar um caminho alternativo. Até recentemente, o projeto era aportar recursos para fazer a companhia crescer rapidamente. Foram investidos cerca de R$ 60 milhões na expansão da fábrica de Guararema, em São Paulo, na logística de distribuição, na ampliação da rede de varejo e no lançamento de produtos. Porém, um número místico assusta o grupo há quatro anos: dois. Este é exatamente o percentual de participação da Mars do Brasil no mercado de chocolates. Pode variar um pouco para cima ou um pouco para baixo, mas a fabricante não consegue se deslocar do índice fatídico nem mesmo com reza forte. A saída estudada pelo board do grupo é fazer uma cirurgia plástica completa na sua subsidiária, que passa por acordo com uma concorrente no mercado internacional, a Kraft Foods. A ideia é fazer uma parceria inicialmente focada na comercialização e distribuição de produtos de ambas as marcas. Como a Mars tem uma operação pequena, não rivalizaria com a Kraft Foods, a não ser em casos muitos específicos, como no segmento de confeitos, no qual é líder. A sinalização da deprimida chocolateira caiu como um doce na boca da futura parceira, interessada em ganhar força de vendas e de distribuição na disputa com a onipresente Nestlé. Para a Kraft Foods, contudo, ainda há falta de transparência sobre os motivos de tamanha guinada na estratégia da Mars. Isto porque sua divisão de chocolates corre o risco de minguar sob o guarda- chuva da concorrente. A interpretação na direção da Kraft é a de que a Mars está disposta a correr o risco na tentativa de tirar do limbo a sua participação no mercado de chocolates. A aproximação com a Kraft Foods deixaria ainda a porta aberta para um futuro acordo em que as marcas da Mars passariam a ser licenciadas da concorrente no mercado brasileiro. O fato é que a área de chocolate virou um peso nos negócios da Mars, que é forte na produção de arroz e de alimentos para animais de estimação. Os norte-americanos sentem engulhos só de ouvir falar a palavra cacau.
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