Buscar
Acervo RR
A ADM está disposta a mostrar que suas incursões em projetos de produção de biocombustíveis são apenas o antepasto no Brasil. A soja continua sendo o prato principal. A subsidiária foi alçada ao topo das prioridades do grupo norte-americano e será contemplada com um plano de negócios de tirar o fôlego. Serão aportados US$ 500 milhões na construção de quatro unidades de esmagamento, que duplicarão para oito milhões a capacidade total de processamento de soja por safra no país. As plantas deverão ser construídas no prazo de dois anos em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul. A ampliação das unidades de esmagamento é um dos pilares da estratégia de Valmor Schaffer, novo e agressivo presidente da ADM para o continente sul-americano. A ordem do executivo é dar uma volta por cima na performance da companhia no país, arranhada pela redução de negócios nos últimos anos. A escolha de Schaffer foi baseada justamente na sua longa experiência como dirigente da ADM e sua crença de que o Brasil tem todos os ingredientes para ser o maior faturamento do grupo no segmento de soja e milho, a frente dos Estados Unidos e da Argentina. Pelas contas do próprio Valmor Schaffer, o mercado brasileiro deverá responder em dois anos por 5% da receita da ADM, na faixa de US$ 80 bilhões, o dobro do que é hoje. Em seu novo estilo mais competitivo, os norte-americanos têm medido forças com os concorrentes na compra de terras. A escolha do local das novas processadoras, na Região Centro-Oeste, teve como premissa adicional a ocupação territorial. O objetivo é não deixar espaço para o crescimento das arquirrivais Cargill e Amaggi, que têm se expandido em maior velocidade do que a ADM no mercado brasileiro. A reviravolta nos planos da multinacional não deixa de ser uma corrida contra o tempo. A ADM foi a última das grandes tradings do setor a desembarcar no Brasil, após Cargill, Bunge, Monsanto e Dreyfus. Perdeu terreno com a queda nos preços das commodities agrícolas ocorrida após o estouro da bolha financeira de Wall Street há três anos e viu os concorrentes ocuparem o espaço. Terá de suar para recuperar o terreno perdido, principalmente para a Monsanto, que lidera o mercado de soja geneticamente modificada e tem tomado seu mercado tanto no Brasil quanto em outros países da América do Sul.
Todos os direitos reservados 1966-2026.