Eletrobras amplia seu latifúndio na transmissão - Relatório Reservado

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Eletrobras amplia seu latifúndio na transmissão

  • 28/10/2011
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A participação e o poder de influência do Estado no setor elétrico vão ganhar mais alguns volts. A Eletrobras está no meio de uma negociação que ampliará ainda mais o seu peso no segmento de transmissão. Dona de 9,85% das ações ordinárias e 35,4% do capital total da CTEEP, a estatal costura a compra de uma fatia maior na empresa, controlada pela colombiana ISA. Pretende chegar a algo em torno de 40% das ONs. Neste caso, o quinhão pertencente ao grupo colombiano cairia de 89% para aproximadamente 59% do capital votante. Noves fora o prêmio de controle, tomando-se como base o atual valor de mercado da CTEEP, a cifra paga pela Eletrobras deverá girar em torno de R$ 1 bilhão. A negociação é acompanhada de perto pelo próprio Ministério de Minas e Energia, o que dá a dimensão do valor estratégico que o governo enxerga no aumento da participação da Eletrobras na CTEEP. Somando- se as redes de transmissão da holding federal e da empresa paulista, o emaranhado chega a 70 mil quilômetros – o equivalente a 68% de toda a malha existente no país. A operação é vista pela área de Minas e Energia como uma oportunidade única para a estatal esticar ainda mais seus tentáculos na área de transmissão, até em razão das circunstâncias que cercam o negócio. A direção da Eletrobras identificou um ponto de vulnerabilidade na ISA, que pode facilitar as gestões para a compra de uma fatia maior na CTEEP. Não obstante ter notória musculatura financeira, o grupo colombiano tem entrado simultaneamente em diversos projetos de grande envergadura, algo que pode, no médio prazo, arranhar a capacidade da CTEEP de cumprir seu programa de investimentos. Entre outros empreendimentos, a ISA está envolvida na construção da Autopistas de la Montaa±a, corredor rodoviário de 760 quilômetros que ligará a região de Antioquia a  costa colombiana no Pacífico. O projeto está orçado em mais de US$ 8 bilhões. Ao mesmo tempo, a ISA já anunciou planos de entrar nos próximos leilões de grandes usinas hidrelétricas no país. Ou seja: em algum momento, poderá faltar fôlego para garantir o programa de expansão da CTEEP. Até porque a própria Eletrobras defende um aumento do valor dos investimentos no triênio 2011/ 2014 de R$ 1,6 bilhão para R$ 2,2 bilhões.

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