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Acervo RR
O Brasil tornou-se um cantão de problemas no mapa da Lenovo. O grupo chinês, que, em 2005, comprou a divisão de computadores da IBM, não tem conseguido reproduzir no país o vitorioso modelo implantado na asia e em outras regiões, responsável por um faturamento global de quase US$ 18 bilhões Questões de ordem operacional, comercial e até mesmo de marketing têm freado a Grande Marcha planejada pelos chineses para o mercado brasileiro de informática. O calcanhar de aquiles é a relação com o varejo. Nos últimos meses, a Lenovo tem feito um intenso trabalho de aproximação com os revendedores – processo que se intensificou a partir de julho, quando o chinês Xia Li assumiu a presidência da subsidiária brasileira. As ações, no entanto, não vêm surtindo os efeitos esperados. Segundo o RR apurou junto ao executivo de uma grande rede de eletroeletrônicos, a Lenovo tem sido alvo constante de boicote por parte de algumas das maiores empresas de varejo do país. O levante se daria no chamado -chão de loja-. A empresa identificou uma campanha difamatória conduzida por vendedores de diversas redes, que têm notório poder de formação de opinião junto ao consumidor. O marketing viral boca a boca incluiria críticas a qualidade dos produtos e ao serviço de atendimento ao consumidor e relatos de uma enxurrada de reclamações de clientes que compraram equipamentos da companhia. Procurada pelo RR, a Lenovo não retornou o contato até o fechamento desta edição. Dentro da Lenovo, o boicote é atribuído a pressão de fabricantes de computadores há mais tempo estabelecidos no Brasil e com um portfólio maior de produtos. Os chineses têm indícios de que um grande grupo, também de origem asiática, vem sistematicamente emparedando os varejistas. Estaria condicionando o fornecimento de TVs e outros produtos mais cobiçados a um esforço da loja para desovar estoques de notebooks de sua marca. Pode até ser. Mas, nesta caça a s bruxas, talvez fosse o caso de a Lenovo também olhar para o próprio umbigo. De acordo com a fonte ouvida pelo RR, logo que chegou ao Brasil, a empresa criou uma fileira de desafetos no varejo por conta da arrogância e da reduzida flexibilidade com que se sentou a mesa de negociações. Acabou formando um cinturão de antipatia entre os revendedores. Ressalte-se que os números da Lenovo no Brasil sugerem um mar de rosas. Em 2010, sua receita cresceu 40% em relação ao ano anterior. As aparências enganam. O comparativo parte de uma base relativamente baixa. Além disso, em grande parte, o salto no faturamento se deveu a um processo de renúncia de rentabilidade. Os chineses teriam raspado o tacho de suas margens de lucro para aumentar as vendas. Mesmo assim, não conseguiram reduzir a distância para Positivo Informática, HP e Dell dentro das metas estabelecidas. Com longa experiência em subsidiárias da Lenovo, inclusive nos Estados Unidos, Xia Lin foi convocado pelo board para tampar estes diversos buracos da empresa no Brasil. Sua curta gestão tem sido marcada por um exercício interno de mea culpa. A empresa tem repensado as especificações de alguns produtos, que não teriam caído no gosto do público. Há críticas também ao trabalho de marketing. A percepção da própria Lenovo é que ainda não conseguiu construir uma forte imagem institucional nem uma marca com notório apelo comercial no país.
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