ADM dá pirueta estratégica e mira na produção de biodiesel - Relatório Reservado

Acervo RR

ADM dá pirueta estratégica e mira na produção de biodiesel

  • 19/09/2011
    • Share

Ganha um saco de farelo de soja, um galão de etanol ou litros de biodiesel quem decifrar a estratégia da ADM para o Brasil, notadamente no setor de bioenergia. O grupo, que ensaiou a criação de um colar de usinas de biodiesel e depois deu meia volta, volver e anunciou a construção de duas plantas sucroacooleiras, agora faz nova pirueta e retorna ao ponto de partida. Desistiu do etanol e ressuscitou o projeto de expansão no mercado de biodiesel, desta vez trocando o crescimento via greenfield por aquisições. Parece que agora vai. O alvo dos norteamericanos é a Granol, uma das maiores produtoras de biocombustível a  base de soja do país. No ano passado, faturou quase R$ 2 bilhões ? 40% deste valor obtidos com a venda de biodiesel. Segundo informações filtradas junto a  própria ADM, os norte-americanos estariam dispostos a manter a família Ferreira, controladora da Granol, com uma participação minoritária no negócio. A eventual aquisição permitiria a  ADM a incorporação não apenas de duas usinas de biocombustíveis, uma no Rio Grande do Sul e outra em Goiás, mas também de cinco complexos agroindustriais voltados ao esmagamento de soja. A multinacional herdaria ainda uma musculosa estrutura comercial e logística, que inclui 23 de centros de compra, venda e armazenagem de grãos, um terminal marítimo e outro fluvial. A ADM já teria acenado com um aporte de R$ 200 milhões para a duplicação da capacidade de processamento de biodiesel da Granol, hoje em torno de 600 mil metros cúbicos, o equivalente a 20% da produção nacional. A nova reviravolta estratégica coincide com a mudança na presidência latino-americana da ADM, para a qual foi nomeado Valmor Schaffer. Sua primeira missão será debelar focos de insatisfação na direção da subsidiária brasileira. Os próprios executivos da empresa já estão mareados diante das sucessivas e bruscas mudanças de rota no mercado de bioenergia. A retomada dos planos de expansão no biodiesel ocorre após uma frustrada investida no setor sucroalcooleiro, que terminou em um litígio societário. Em 2008, os norte-americanos firmaram um acordo com o ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera para a construção de duas usinas de álcool e açúcar, uma em Minas Gerais e outra em Goiás. Apenas a planta mineira saiu do papel, mas sequer iniciou a produção. O rompimento do acordo se deu justamente pela abrupta guinada estratégia da ADM, que, no meio do caminho, desistiu do mercado sucroalcooleiro e interrompeu o aporte de recursos na joint venture firmada com Cabrera – ver RR edição nº 4.159.

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima