Bombardier ameaça tomar o bilhete da Embraer na China - Relatório Reservado

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Bombardier ameaça tomar o bilhete da Embraer na China

  • 15/09/2011
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Mesmo após as gestões da presidente Dilma Rousseff junto ao governo de Hu Jintao, que resultaram na assinatura de novos contratos no setor aeronáutico, a permanência da Embraer na China está cada vez mais ameaçada. A própria diretoria da empresa considera a saída do país praticamente irreversível. Como se não bastasse o tortuoso relacionamento com a estatal Avic, sua sócia em uma fábrica na cidade de Harbin, a companhia de São José dos Campos está perdendo o apoio do governo chinês. As autoridades locais viraram a casaca e passaram a vestir a camisa da maior rival da Embraer, a Bombardier. A empresa canadense deverá se tornar parceira preferencial da China para o desenvolvimento da indústria aeronáutica no país. O primeiro voo conjunto foi o acordo recém-firmado entre a Bombardier e a também estatal Commercial Aircraft Corporation of China (Comac) para a produção de aeronaves executivas. Segundo informações filtradas junto a  própria Embraer, já existem negociações para que a Avic se junte a  Comac e a  Bombardier. Caso o triângulo aéreo se confirme, tudo leva a crer que o governo chinês passará a concentrar seus investimentos na indústria aeronáutica na nova associação. Ou seja: a joint venture entre Embraer e Avic não fará mais qualquer sentido e morrerá de morte morrida. Na prática, o rompimento significará o fechamento da fábrica de Harbin e uma ordem de despejo para a empresa brasileira. Diante do risco iminente de ser ejetada da China, a Embraer já estuda opções com o objetivo de criar uma cabeça de ponte para o mercado asiático. A hipótese mais cotada é a instalação de uma fábrica na andia também com parceiros locais, de preferência mais fiéis do que a volúvel Avic, cuja biruta gira ao sabor dos interesses do governo chinês. Seja qual for o país no qual a Embraer vai aterrissar, o grande desafio da empresa será buscar escala suficiente no curto prazo que permita a decolagem de uma nova fábrica, algo, que jamais ocorreu na joint venture com os chineses. Nem mesmo com o acordo assinado entre as duas empresas em abril deste ano, resultado de longas gestões diplomáticas do governo brasileiro, a operação deslanchou. O novo contrato previa o início imediato da produção de aeronaves modelo Legacy. No entanto, no que depender do governo chinês, o acordo não deverá nem sair do hangar. A linha de montagem em Harbin estaria desativada desde o início do ano. Os funcionários foram deslocados para funções administrativas. Além disso, as empresas ainda não teriam fechado qualquer encomenda, muito em função do baixo empenho comercial da Avic e do desinteresse do próprio governo chinês.

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