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Acervo RR
Shunichi Nakanishi, que assumiu a presidência da Toyota no Brasil no início deste ano, sente-se como se estivesse dirigindo um carro sem freios a beira de um penhasco. A operação da montadora no país está atolada em uma série de problemas de ordem comercial e operacional. Os buracos no caminho começam pela última linha do balanço. Em uma política quase camicase de preços, a Toyota estaria abrindo mão de rentabilidade na tentativa de aumentar suas vendas no país. A estratégia, no entanto, teria se revelado um tiro nos próprios pneus. A montadora ainda não conseguiu transformar a perda de margens em crescimento da receita. Entre janeiro e julho deste ano, o número de veículos da empresa licenciados caiu 7,4% no comparativo com igual período em 2010. Ressalte- se que, no mesmo espaço de tempo, o volume total de emplacamentos no Brasil cresceu 8,6%. Com isso, o market share da Toyota engatou a marcha a ré. A empresa fechou 2010 com participação de 1,9%. Em junho deste ano, mesmo com as promoções e os cortes de preço, foi responsável por 1,8% dos automóveis licenciados em todo o Brasil. Nakanishi, em quem os japoneses depositaram grande expectativa de uma recuperação das vendas no curto prazo, já começa a sentir sobre os ombros a mão pesada da matriz. Não custa lembrar que os frustrantes resultados no Brasil teriam sido determinantes para o afastamento de seu antecessor, Shozo Hasebe. Em outro front, as obras para a construção da futura fábrica de Sorocaba estão atrasadas em relação ao cronograma original. Dentro da própria companhia, já há dúvidas de que a planta industrial entrará em operação no segundo semestre de 2012, como está previsto. Caso se confirme, o atraso terá um grande impacto negativo sobre o planejamento estratégico da Toyota no Brasil. O início da produção de veículos compactos, que serão montados em Sorocaba, é a grande aposta comercial dos japoneses para fisgar consumidores das classes B e C e aumentar sua participação de mercado no país. O investimento, aliás, é um exercício de mea culpa da companhia. Não chega a ser caso para haraquiri, mas os próprios japoneses se arrependem profundamente da demora para entrar neste segmento no país. O restrito portfólio é visto pela montadora como uma das principais razões para a estagnação do market share. Hoje, a empresa comercializa apenas cinco modelos no mercado brasileiro.
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