Buscar
Acervo RR
As turvas águas societárias da Sanepar formam um rio que parece correr apenas para o passado. Pelo menos é o que garante o próprio governador do Paraná, Beto Richa, que se travestiu de adviser de si próprio e tem feito uma peregrinação entre fundos e bancos de investimento em busca de novos parceiros para a empresa de saneamento. Usa como principal bandeira o apaziguamento das relações entre os acionistas da companhia. Mais do que isso: o governo do Paraná e o consórcio Dominó ? grupo que reúne o empreiteiro Sergio Andrade e o banqueiro Daniel Dantas e detém 40% da empresa de saneamento ? não apenas selaram o armistício como estão estudando novos investimentos conjuntos para a expansão da concessionária. O objetivo é ampliar a atuação da Sanepar para além das fronteiras paranaenses. O modelo sobre a mesa prevê a criação de uma joint venture entre a estatal paranaense e investidores privados, o que justifica o road show que vem sendo feito pelo próprio Richa. Aos olhos do governador, este formato tem duas vantagens: permitirá a associação da Sanepar com grupos privados sem a necessidade de desestatização da companhia e estimulará o Opportunity e a Andrade Gutierrez a fazerem novos aportes no negócio. Beto Richa quer usar esta operação como trampolim para um projeto de ocupação geoeconômica. Richa pretende aproveitar a fragilidade de seus vizinhos para transformar a Sanepar na grande empresa de saneamento da Região Sul. Seu alvo é a compra de participações na Casan, de Santa Catarina, e na Corsan, do Rio Grande do Sul. Neste segundo caso, o caminho é complexo, pois depende de uma costura política com o petista Tarso Genro, que já se manifestou contrário a venda de qualquer participação na estatal gaúcha. Em relação a Casan, o cenário é bem menos hostil. O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, já sinalizou o interesse em buscar novos sócios para a empresa.
Todos os direitos reservados 1966-2026.