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Acervo RR
O chão está desabando sob os pés da presidente da Homex no Brasil, Érika Taboada. São cada vez mais estridentes as cobranças da matriz, que já não esconde a decepção com o desempenho da subsidiária. Os problemas da empresa no país envolveriam atraso na entrega de obras, dificuldades para a montagem de um banco de terrenos, equívocos na escolha de áreas e demora para encontrar um parceiro local. Há praticamente dois anos no país, a Homex só teria conseguido entregar até o momento pouco mais de mil dos cerca de cinco mil imóveis previstos para o período. A meta de entrar em dez cidades nos primeiros dois anos de operação também não foi alcançada. Por ora, há empreendimentos da companhia apenas em São José dos Campos e Marília, ambas em São Paulo, e em Campo Grande (MS). Ainda assim, dentro da própria Homex haveria fortes questionamentos aos locais escolhidos pela empresa para erguer seus primeiros imóveis no Brasil. O caso mais complicado seria o de São José dos Campos. A companhia está construindo um conjunto de casas voltado a população de baixa renda em uma área com carências de infraestrutura, o que teria se revelado um empecilho para a venda dos imóveis na velocidade desejada. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Homex não se pronunciou até o fechamento desta edição. Justiça seja feita! A responsabilidade sobre os tropeços da Homex no país não deve ser jogada apenas sob as costas de Érika Taboada e seus pares na direção da subsidiária. A matriz tem culpa no cartório. Musa inspiradora das construtoras brasileiras que entraram no segmento de baixa renda, com mais de 60 mil imóveis vendidos por ano no México, a Homex demorou a desembarcar no país. Quando o fez, deparou-se com um mercado já tomado pelas empresas nacionais. Ao menos até o momento, os mexicanos também falharam na tentativa de se associar a uma grande companhia local, como previa o projeto original. A Homex teria mantido conversações com algumas construtoras brasileiras, como Gafisa e Cyrela, mas as negociações não avançaram. Em 2008, antes de iniciar suas primeiras obras no Brasil, a companhia teve um parceiro local: a construtora EOM, que chegou, inclusive, a controlar 30% da Homex Brasil. A sociedade, no entanto, desfez-se de maneira ruidosa, em meio a desavenças estratégicas. Sem uma alma gêmea familiarizada com o mercado brasileiro, o grupo mexicano tem encontrado dificuldades para se adequar a cultura do país.
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