Sucessão na presidência abala as estruturas da Gafisa - Relatório Reservado

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Sucessão na presidência abala as estruturas da Gafisa

  • 22/06/2011
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Pode até parecer que o RR – Negócios & Finanças tem obsessão pela Gafisa, mas fontes da própria empresa insistem em fazer da construtora um livro aberto. Os novos capítulos dizem respeito ao processo de sucessão na presidência da companhia, que tem provocado rachaduras internas. Há um jogo de ciúmes e intrigas em torno da contratação do novo nº 1, a começar pelo antigo ocupante do cargo, o ex-todo-poderoso Wilson Amaral. Ao contrário do que havia sido sinalizado pelos sócios, Amaral, hoje no Conselho de Administração, foi completamente alijado das discussões para a escolha de seu substituto. O ?chega pra lá? teria sido resultado das animosidades criadas por Amaral entre seus pares de diretoria. Na reta final de sua gestão, já sentindo que a guilhotina triscava-lhe o pescoço, o executivo teria exagerado nas cobranças aos demais integrantes do primeiro escalão da Gafisa, jogando sobre as costas alheias a culpa por atrasos na entrega de obras importantes. O procedimento causou desgaste no relacionamento entre Amaral e os próprios acionistas da construtora. Tanto que já se diz dentro da empresa que sua permanência no Conselho da companhia será efêmera. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a Gafisa não se pronunciou até o fechamento desta edição. Os problemas decorrentes da sucessão presidencial na Gafisa não se limitam a Wilson Amaral. A decisão dos acionistas de contratar uma empresa de head hunter para buscar um executivo forasteiro murchou expectativas e gerou descontentamento entre os dirigentes da construtora. Duílio Calciolari, que acumula a diretoria financeira e de RI com a presidência interina da Gafisa, já dava como certa sua efetivação no cargo. Não está sozinho. Quem também almeja a indicação é Sandro Gamba, um dos executivos mais longevos da empresa. Há 15 anos na companhia, ocupa a diretoria de incorporação imobiliária. Os acionistas da Gafisa, cujo controle está pulverizado em Bolsa, deverão decidir até o fim de julho se partem para uma solução externa ou privilegiam a prata da casa. Por ora, a balança pende para a primeira opção. Há uma crescente insatisfação com o desempenho da construtora. No primeiro trimestre, o lucro caiu 79% em relação a igual período em 2010. No mesmo período, a margem bruta da empresa recuou de 32% para 23%. O futuro presidente vai ter de suar sangue no segundo semestre. Entre janeiro e maio, a Gafisa cumpriu apenas 10% da meta anual de lançamentos previstos para o ano.

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