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Acervo RR
A Cargill precisa contratar urgentemente uma tropa de lobistas ou um craque da área de relações institucionais. De uma só vez, os norte-americanos conseguiram angariar a antipatia e a má vontade dos governadores do Paraná, Beto Richa, de Goiás, Marconi Perillo, e de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. O motivo é o leilão que a empresa deflagrou para a instalação de uma fábrica de processamento de milho, uma operação que poderia muito bem ser fechada na Sotheby’s ou na Christie’s. No melhor estilo ?dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três?, a Cargill vem barganhando melhores condições com os três estados. Beto Richa, por exemplo, já dava como certa a construção do empreendimento no Paraná. O governador ofereceu vantagens tributárias e logísticas, leia-se o uso do Porto de Paranaguá para o escoamento da produção. Só em renúncia fiscal, a conta chegaria a quase R$ 50 milhões. Richa, no entanto, não conseguiu saciar o apetite dos norte-americanos, que, sorrateiramente, bateram também na porta dos governadores sul-matogrossense e goiano. Sem saber das negociações cruzadas entre a Cargill e outros estados, Mato Grosso do Sul e Goiás também ofereceram contrapartidas fiscais e de infraestrutura. Em determinado momento das conversações, assim como Beto Richa, tanto Perillo quanto Puccinelli tiveram a certeza de que haviam fisgado o empreendimento. No entanto, acabaram entrando na dança da Cargill. Quanto mais benefícios ofereciam, mais os norte-americanos pediam. Mas tudo tem limite. Diante do leilão, a paciência dos personagens envolvidos se esgotou. As relações institucionais entre a Cargill e os três estados se deterioraram nas últimas semanas. Beto Richa, inclusive, teria se negado a receber executivos da empresa para uma nova rodada de negociações. Os três governadores já sinalizaram que não vão mexer mais uma vírgula nas condições apresentadas ao grupo norte-americano. Para o governo dos três estados, a situação é intrincada. O cobertor é curto demais. De um lado, a trinca de governadores se sente usada pela Cargill; por outro, o momento exige uma certa dose de sangue frio, uma vez que o que está em jogo é um investimento de R$ 350 milhões. Cada um usa as armas que tem. Em represália, Beto Richa, por exemplo, freou as negociações com a Cargill para a redução do custo pelo uso do Porto de Paranaguá. Os norte-americanos utilizam o terminal para o escoamento de uma fábrica de processamento de milho que já possuem no estado.
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