O voo rasteiro da Tyson Foods no Brasil - Relatório Reservado

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O voo rasteiro da Tyson Foods no Brasil

  • 14/06/2011
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Em 2008, ao comprar em uma só tacada os frigoríficos Macedo, Avita e Frangobrás, a Tyson Foods deu pinta de que a tríplice aquisição era apenas o hors d?oeuvre e logo montaria uma operação bem mais calórica. No entanto, três anos depois, os negócios da empresa no Brasil estão mais para um galetinho desossado do que para um robusto galo de briga. Entre os diretores da subsidiária brasileira, há um crescente desânimo com a estagnação do grupo no país. O plano de expansão prometido pela matriz teima em não sair do papel. O que mais tem desorientado o comando da empresa no Brasil é a dúbia posição dos norte-americanos. Há cerca de dois anos, o board da Tyson reservou cerca de US$ 200 milhões para novas aquisições no país. O grupo chegou a entabular conversações com empresas nacionais, caso do frigorífico gaúcho Minuano e do paranaense Globoaves. Ensaiou também sua entrada no setor de carnes bovinas ? uma das companhias sondadas teria sido a Arantes Alimentos. No entanto, a fonte secou. Os norte-americanos suspenderam novos investimentos no Brasil por conta dos fortes prejuízos que tiveram em 2009, quando as perdas globais chegaram a US$ 457 milhões. Mesmo com o lucro amealhado no ano passado, em torno de US$ 700 milhões, ainda não há sinais de quando os aportes no país serão retomados. Além da hesitação dos norte-americanos, a operação brasileira da Tyson Foods enfrenta alguns contratempos. A subsidiária ainda não teria atingido o seu breakeven ? fator, aliás, que só fez aumentar a inapetência da matriz por novos investimentos no Brasil. Há ainda problemas de escala. Com três frigoríficos de porte limitado, a companhia não atingiu massa crítica suficiente para brigar com concorrentes de maior porte. A empresa também penou para fazer a integração entre a Avita, a Macedo e a Frangobrás, empresas de tamanho e culturas distintos e com limitações logísticas, que impediram o aumento da produção. A Tyson também estaria enfrentando problemas de relacionamento com os fornecedores integrados de matrizes no Rio Grande do Sul. Os norteamericanos ficaram marcados no estado pela falta de jogo de cintura nas negociações para a compra de matéria- prima, não obstante ter no seu comando no Brasil um craque do setor, Vitor Hugo Brandalise. O calvário da Tyson no Brasil envolve ainda problemas de infraestrutura. Por restrições no fornecimento de energia elétrica na região, a empresa teve de adiar o projeto de expansão de um frigorifico em Itaiópolis (SC).

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