Sócios do Atlântico Sul navegam em mares revoltos - Relatório Reservado

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Sócios do Atlântico Sul navegam em mares revoltos

  • 6/06/2011
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Os sócios do estaleiro Atlântico Sul estão sentados sob um barril de pólvora prestes a explodir. As relações entre Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Samsung e PJMR Empreendimentos são cada vez mais turbulentas. O sarapatel de atritos entre o trio mistura desavenças em decisões estratégicas, atrasos na entrega de embarcações e um cabo de guerra que resultou em mudanças na gestão da companhia. A Camargo Corrêa, que até outro dia posava de acionista mais forte do estaleiro, perdeu força. O estopim para a sucessão de desentendimentos foi a recente troca na presidência da empresa, feita em março. Ao contrário do discurso oficial, a saída de Angelo Bellelis não estava programada desde o ano passado. Os demais sócios exigiram a troca do executivo, ligado a  Camargo Corrêa. Bellelis foi responsabilizado pelos atrasos no cumprimento de alguns contratos em carteira. Seu substituto, Agostinho Seraphim, foi imposto pela Queiroz Galvão, com apoio da Samsung e da PJMR e sem a anuência da Camargo Corrêa. A empreiteira fez de tudo para segurar Bellelis no cargo. No auge das discussões, teria condicionado novos investimentos no estaleiro a  permanência do executivo. Os sócios ouviram o brado dos herdeiros de Sebastião Camargo como uma bravata que será carregada pela primeira onda. Além do maremoto em torno da troca de comando, os nervos entre os acionistas do Atlântico Sul estão a  flor da pele por conta dos problemas operacionais da empresa. O estaleiro tem sido pressionado pela Transpetro, seu principal cliente ? a companhia tem em carteira 22 pedidos firmes da estatal. A cobrança se deve ao atraso na entrega do petroleiro João Cândido. A Transpetro deveria ter recebido a embarcação em agosto do ano passado, mas a conclusão da montagem vem sendo sucessivamente adiada. A nova previsão de entrega é para o segundo semestre. Dentro da estatal, no entanto, o temor é que o atraso na construção do navio provoque um efeito-dominó, com a postergação da entrega das demais embarcações. Recentemente, o Atlântico Sul perdeu uma disputa para fornecer um navio para a Vale, por conta do longo prazo de entrega. O estaleiro só conseguiria terminar a embarcação em 2016. Paralelamente, há ainda desavenças quanto a decisões estratégicas da companhia. Os sócios do Atlântico Sul não estariam se entendendo quanto a  expansão do estaleiro. O projeto prevê o aumento da capacidade de processamento de aço de 160 mil toneladas para 250 mil toneladas. O investimento, no entanto, não tem a anuência de todos os acionistas.

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